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Austeridade de Milei enfrenta teste com desaceleração e queda de arrecadação

Desaceleração econômica e queda na arrecadação colocam em risco a âncora fiscal de Milei, ampliando incertezas antes das eleições

A taxa de aprovação de Milei caiu para 36,4% em março, a mais baixa de sua presidência, ante 44% no final do ano passado (Foto: Sarah Pabst/Bloomberg)
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  • A economia argentina mostra desaceleração, com arrecadação de impostos ficando abaixo da inflação por sete meses; em fevereiro houve queda real de 10%.
  • Os cortes de gastos de Milei, aliados à redução de subsídios em energia e transporte, pressionam a âncora fiscal e ampliam o desafio de manter o superávit.
  • O crescimento segue, puxado por agricultura, energia e mineração, mas setores mais intensivos em mão de obra, como manufatura e varejo, enfrentam fraca recuperação.
  • Analistas indicam que o governo pode deixar de manter a âncora fiscal neste ano, ainda que esse desvio seja visto como administrável, com possibilidades de receitas extraordinárias ou novos cortes.
  • A popularidade de Milei recuou para 36,4% em março, elevando a pressão política antes do próximo ciclo eleitoral.

Austeridade de Milei enfrenta teste com desaceleração econômica e menor arrecadação. A combinação de crescimento mais fraco e arrecadação abaixo da inflação coloca em risco a âncora fiscal defendida pelo presidente argentino, Javier Milei, a menos de 18 meses da próxima eleição.

Dados públicos mostram queda real nas receitas por sete meses consecutivos, com março registrando recuo mensal de 10% ajustado pela inflação. A estagnação em setores como manufatura, construção e varejo pesa sobre a arrecadação e sobre as contas públicas.

O governo argumenta que receitas extraordinárias, como privatizações, poderiam compensar parte da perda. Ainda assim, há expectativa de necessidade de cortes adicionais em gastos, diante de uma base de subsídios de energia e transporte já revisitada por Milei.

Receita sob pressão

O Banco Mariva aponta que a menor arrecadação do imposto sobre vendas, interno e alfandegário, explica pelo menos um terço da queda real na receita. O aumento do desemprego também reduz as contribuições para a previdência social.

Analistas destacam que a redução de subsídios já impactou contas públicas. Economia do país continua crescendo, impulsionada por agricultura, energia e mineração, mas setores intensivos em mão de obra sentem o impacto da fraqueza do consumo e da valorização cambial.

Contexto político e monetário

A aprovação de Milei caiu para 36,4% em março, segundo a Latam Pulse, da AtlasIntel para Bloomberg News. Moody’s avalia a possibilidade de perda da âncora fiscal ainda neste ano, mas admite desvio moderado, dado que o governo já construiu credibilidade.

Especialistas dizem que tolerar déficits pode ser aceitável se evitar choques sociais, mas destacam que qualquer desvio adicional aumentaria custos políticos e sociais. O Banco Central tem atuado para ajustar a política monetária diante da inflação e da deterioração fiscal.

Perspectivas para 2026

O orçamento de 2026 assume crescimento de receitas suficiente para manter superávit primário próximo de 1,5% do PIB e superávit financeiro de 0,3%. Com queda de arrecadação, essas metas parecem mais desafiadoras, elevando a necessidade de decisões difíceis pela gestão Milei.

A economia argentina permanece em expansão, mas com desigualdades entre setores. Agricultura, energia e mineração puxam o crescimento, enquanto indústria, turismo e varejo sofrem com a desaceleração. Analistas afirmam que o efeito sobre a política monetária tende a se intensificar.

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