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Carbono estreia na B3 como ativo de floresta

Leilão da Flona Bom Futuro transforma restauração em ativo financeiro; ausência de concorrência evidencia risco e potencial do mercado de carbono no Brasil

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  • Leilão da Floresta Nacional do Bom Futuro, na B3, transforma restauração florestal em ativo financeiro negociável, com vitória da Re.green e apoio do BNDES e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
  • Contrato de quarenta anos envolve investimento de R$ 86,7 milhões em uma área de cerca de cinquenta mil hectares, com retorno baseado principalmente na venda de créditos de carbono.
  • Outorga de 0,7% da receita bruta aponta compartilhamento de risco entre concessionário e Estado, prevendo remoção de até 1,8 milhão de toneladas de CO₂ ao longo do contrato.
  • Maior novidade foi a ausência de competição, evidenciando prêmio de risco alto por insegurança fundiária, invasões, incerteza regulatória e financiamento de longo prazo.
  • Governo vê o leilão como demonstração de preço e geração de benchmark para ativos ambientais, com atenção ao preço do carbono, melhoria de regras fundiárias e ao marco regulatório do mercado de carbono no Brasil.

O leilão realizado na B3 colocou a Floresta Nacional do Bom Futuro como ativo financeiro, com a Re.green vencendo o certame. O projeto funciona com apoio do BNDES e coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A remuneração depende principalmente da geração e venda de créditos de carbono, não da exploração madeireira.

O contrato tem 40 anos, envolve cerca de 50 mil hectares e investimentos estimados em 86,7 milhões de reais. O modelo prevê CAPEX alto no início e retorno diluído ao longo do tempo, condicionado à precificação futura do carbono. A outorga é de 0,7% da receita bruta, sinalizando compartilhamento de risco entre concessionário e Estado.

Espera-se remoção de até 1,8 milhão de toneladas de CO2 ao longo do contrato. Mesmo assim, o mercado admitiu volatilidade e fragilidades regulatórias, com a participação de apenas um proponente. A ausência de concorrência evidencia o prêmio de risco embutido nesses ativos.

Mercado e riscos

O leilão revelou um WACC elevado e uma curva de aprendizado ainda embrionária para investidores institucionais. O governo vê o evento como demonstração para criar um benchmark de precificação de ativos ambientais e ampliar a base de investidores nos próximos certames.

Futuro regulatório e credibilidade

O projeto antecipa o futuro mercado regulado de carbono no Brasil, aproximando-se de padrões de mercados maduros. Reforça a necessidade de regras claras de certificação, adicionalidade e permanência para sustentar a credibilidade desses ativos no exterior.

Do ponto de vista macro, a concessão sinaliza diversificação da matriz de infraestrutura brasileira ao incorporar ativos ambientais. Com replicação em escala, pode atrair capital com critérios ESG, criando uma nova classe de ativos com correlação distinta. O impacto, no curto prazo, é mais simbólico do que numérico.

Observáveis agora serão a evolução do preço do carbono no voluntário e regulado, a redução de riscos institucionais e fundiários e o avanço de regras claras no marco regulatório. Esses fatores determinarão a viabilidade e a escalabilidade de iniciativas semelhantes.

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