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Crise do petróleo favorece montadoras chinesas, aponta análise

Crise do petróleo eleva preços e reforça vantagem dos veículos elétricos chineses, ampliando mercados na Ásia e acelerando a transição energética

Ilustração gerada por IA
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  • A crise no petróleo elevou o preço do barril para US$ 119, com impactos esperados sobre inflação e crescimento global, e ocorreu em meio a tensões entre EUA, Israel e Irã.
  • Montadoras chinesas de veículos elétricos podem ganhar espaço, pois a demanda por EVs cresce enquanto a gasolina fica mais cara, ampliando as exportações.
  • A China, que importa mais de quarenta por cento do petróleo do Oriente Médio, pode se beneficiar da transição para energia limpa diante da volatilidade do petróleo.
  • Relatório da Ember aponta que veículos elétricos reduziram o consumo global de petróleo em cerca de 1,7 milhão de barris por dia no ano passado, e que os EVs ajudam a diminuir as importações.
  • No entanto, o setor enfrenta pressão interna: somente cerca de quinze das cento e vinte nove marcas chinesas de EVs devem se manter financeiramente viáveis em 2030, com subsídios sendo gradualmente eliminados.

A crise histórica do petróleo, acompanhada pela alta no preço dos combustíveis, chega em momento estratégico para as montadoras chinesas de veículos elétricos. Empresas do setor veem potencial de expansão externa diante da escalada de custos com gasolina e da pressão por opções de mobilidade mais eficientes. O contexto internacional envolve o conflito entre EUA, Israel e Irã, que interrompe parte do abastecimento no Oriente Médio.

Atingidos pela desaceleração no mercado interno, os fabricantes chineses passam a mirar mercados mais amplos, com o apoio de preços competitivos e tecnologia de baterias avançada. Analistas apontam que o aumento do custo de combustíveis pode acelerar a demanda por EVs em países asiáticos afetados pela escassez de petróleo, ampliando a penetração das marcas da China.

O Oriente Médio responde pela maior parte das importações de petróleo da Ásia, elevando a volatilidade dos preços globais. Dados indicam que cerca de 60% do petróleo bruto que abastece a região vem do tribunal geopolítico do Estreito de Ormuz, onde tensões afetam o fluxo de cargas.

Segundo estudos do Ember, a migração para veículos elétricos é considerada a maior alavanca para reduzir as contas de importação. Em 2023, o uso de EVs reduziu o consumo global de petróleo em aproximadamente 1,7 milhão de barris por dia, reforçando a relevância da transição energética.

Acelerando a adoção

Na China, o maior produtor mundial de energia renovável, o peso das importações de petróleo é significativo, o que torna mais estratégico o movimento rumo a energias limpas. Estima-se que as EVs respondam por cerca de 50% das vendas de carros novos e por 12% de todos os veículos registrados no país, impactando o consumo de petróleo.

A disseminação de veículos elétricos na China é vista como parte de uma estratégia de segurança energética. Especialistas destacam que a dependência de combustíveis fósseis importados representa risco econômico e ambiental, fortalecendo o incentivo ao desenvolvimento interno de EVs e de energias limpas.

Zhu Zhaoyi, da HSBC China, afirma que a crise pode acelerar metas de emissão zero até 2060. A avaliação pondera que instabilidade regional costuma reforçar a priorização de fontes domésticas de energia para reduzir vulnerabilidades.

Pressão sobre os veículos elétricos

O apoio estatal que impulsionou a liderança chinesa em EVs também aumenta a competição entre montadoras nacionais. Estima-se que apenas cerca de 15 das 129 marcas locais permaneçam financeiramente viáveis até 2030, com recuo da demanda interna à medida que subsídios são reduzidos.

Mesmo com a elevação dos preços do petróleo podendo ampliar o mercado doméstico, analistas alertam que o excesso de oferta permanece. A melhoria de mercados externos é essencial para absorver a capacidade produtiva, especialmente diante de tarifas em outros continentes.

Entre os obstáculos, a entrada de marcas chinesas no mercado dos EUA continua desafiadora, com barreiras tarifárias e condições de produção locais. Na Ásia, porém, a necessidade de reduzir consumo de energia e de importações fortalece a vantagem competitiva das EVs chinesas, pela combinação de preço, tecnologia e cadeia de suprimentos integrada.

Lam Pham, da Ember, destaca que a volatilidade dos preços de combustível e o apoio político crescentes tendem a impulsionar o mercado de EVs na região. A abertura de novos negócios e a oferta de modelos acessíveis devem favorecer a expansão de fabricantes chineses no curto prazo.

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