- O presidente do Escritório Europeu de Patentes, António Campinos, diz que a UE perdeu o ritmo global na IA, mas pode liderar a próxima revolução tecnológica ao reduzir barreiras no mercado único.
- Ele pede foco na defragmentação do mercado interno e na integração dos mercados de capitais para que startups escalem e se tornem protagonistas globais.
- Campinos aponta que a próxima grande revolução pode ser a tecnologia quântica, ainda em estágio próximo do mercado, e a Europa costuma perder nessa etapa pela falta de escala e de financiamento.
- A Comissão Europeia lançou o EU Inc, regime único para abrir empresas online em 48 horas por menos de cento euros, como passo para simplificar o ambiente de negócios, mas ainda é preciso avançar na desfragmentação.
- Ele destaca que adaptar regras de competição a um mercado global e integrar as bolsas de valores pode oferecer mais oportunidades para startups, evitando perdas de até setecentos bilhões de euros em PIB.
O presidente do European Patent Office (EPO), António Campinos, afirmou que a Europa pode vencer a próxima corrida tecnológica se concluir a integração do seu mercado interno. A declaração foi feita em entrevista à Euronews e publicada na esteira de debates sobre a competitividade europeia em tecnologias emergentes.
Campinos ressaltou que a UE já perdeu, em linhas gerais, a liderança global em nuvem e IA. Contudo, apontou que há batalhas tecnológicas onde a Europa ainda pode avançar com ganhos incrementais, desde que reduza barreiras internas e defina prioridades claras.
Segundo o chefe do EPO, o próximo grande salto pode vir da tecnologia quântica, que ainda está entre pesquisa fundamental e desenvolvimento, mas já se aproxima do mercado. A posição europeia, na visão dele, tende a piorar caso não haja maior maturação de projetos até a comercialização.
Para ele, a disfunção no mercado interno dificulta o crescimento de startups e o escalonamento de ideias até o mercado. Defendeu a necessidade de defragmentar o mercado, inclusive integrando bolsas de valores para ampliar o alcance de empresas em setores emergentes.
Ele indicou que a não simplificação regulatória representa custos significativos, estimando barreiras não tarifárias entre 40% e 60% para bens e entre 100% e 110% para serviços, com impacto potencial no PIB de até 700 bilhões de euros.
Campinos também sugeriu adaptar regras de concorrência da UE para um mercado global e promover maior integração entre bolsas europeias, para dar previsibilidade e oportunidades a startups. O objetivo é estimular a formação de grandes empresas ligadas à inovação.
Integração do mercado interno
A entrevista ocorre em meio a discussões sobre reformas para destravar o aproveitamento de recursos e reduzir entraves administrativos, com foco na agilidade para transferir pesquisa para produtos no mercado.
Autoridades europeias têm defendido agendas de integração mais profundas, como propostas para um regime único de empresa na UE, com registro rápido e regras unificadas para negócios transfronteiriços.
Analistas apontam que a consolidação do mercado único pode facilitar o investimento em pesquisa, financiamento público-privado e parcerias entre universidades, laboratórios e o setor privado.
Propostas em debate
A UE tem discutido iniciativas para simplificar a regulação, ampliar a cooperação entre mercados de capitais e acelerar a criação de parques tecnológicos. Tais medidas apareciam em diálogo com planos do bloco para revitalizar a economia.
Em fevereiro, líderes da UE destacaram a necessidade de novas medidas para estimular o crescimento, incluindo propostas para acelerar registros de empresas e reduzir custos regulatórios, segundo fontes oficiais.
Fonte relacionada aponta que, paralelamente, diferentes estudos e relatórios de autoridades e ex-primeiros-ministros destacam caminhos para manter a Europa competitiva sem sobrecarregar o setor público.
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