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Ata do Copom indica continuidade dos cortes da Selic em 2026, com trajetória incerta diante da guerra no Oriente Médio e de inflação ainda acima da meta

A alta muito discreta projetada pelo Copom para a inflação à frente indica a expectativa de que o conflito não se prolongue demais, diz o articulista
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  • A ata de março do Copom indica continuidade do ciclo de cortes da Selic em 2026, mantendo o rumo iniciado em março.

  • A discussão na reunião ficou entre reduzir 0,25 ponto percentual ou 0,50 ponto, sem discutir a hora de iniciar os cortes.

  • A projeção aponta Selic entre 12,00% e 12,50% no fim de 2026, com a taxa atual em 14,75%.

  • A inflação no horizonte relevante subiu de 3,2% para 3,3% no terceiro trimestre de 2027.

  • O Copom sustenta que a política monetária contribui para a desaceleração da atividade, mas o cenário depende da guerra no Oriente Médio e da volatilidade do petróleo.

A ata da reunião de março do Copom, divulgada na terça-feira (24.mar.2026), não trouxe novidades em relação ao comunicado anterior. No entanto, aponta o roteiro para 2026, com foco na trajetória dos juros. O BC manteve a sinalização de continuidade de cortes da Selic iniciados em março.

O documento indica que não houve dúvida sobre seguir com o novo ciclo de redução da taxa básica de juros. A decisão de março mostrou um recuo de 0,25 ponto, para 14,75%, mantendo a Selic em 15% ao ano desde junho de 2025. O debate foi sobre o ritmo dos cortes.

MARCHA DOS CORTES

A ata deixa claro que a prioridade é a marcha dos cortes, não a definição de começar ou não os ajustes. O Copom discute se as reduções devem ser de 0,25 p.p. ou 0,50 p.p. por reunião, diante de incertezas globais e de um crescimento doméstico mais forte no 1º trimestre de 2026.

Apesar da volatilidade externa, o comitê pretende manter a taxa em terreno restritivo para conter a demanda. O nível dos cortes ao longo de 2026 fica em aberto, com cenários de continuidade. Analistas apostam em quedas adicionais de cerca de 2,25 a 2,75 p.p. até o fim do ano.

VISÃO DE INFLAÇÃO E CENÁRIO

A leitura da ata sugere que o Copom minimizou impactos da guerra no Oriente Médio na inflação. A projeção da inflação para o 3º trimestre de 2027 subiu de 3,2% para 3,3%, mantendo o horizonte relevante para decisões futuras.

Mesmo com volatilidade petrolífera, a instituição sinaliza que a inflação não deve comprometer o processo de redução gradual dos juros. O documento aponta que a moderação da atividade econômica persiste, com o mercado de trabalho relativamente resiliente.

IMPACTOS DA POLÍTICA MONETÁRIA

Entre ressalvas, o Copom aponta que a desaceleração do fim de 2025 pode ter sido influenciada pelo efeito defasado do aperto monetário. A ata afirma que a política monetária vem funcionando, abrindo espaço para novos cortes.

A leitura sugere que os impactos da política fiscal não impedem o percurso de queda da Selic, desde que as condições econômicas locais se mantenham estáveis. As repercussões no curto prazo dependerão das consequências da guerra.

CONTEXTO E DESDOBRAMAMENTOS

O documento reforça que o cenário doméstico requer monitoramento continuo de inflação, atividade econômica e condições de crédito. O Copom mantém a linha de atuação cautelosa, priorizando controle da inflação e respiração para a atividade.

No conjunto, o Copom sinaliza continuidade do ciclo de cortes, com o ritmo a ser definido conforme indicadores econômicos próximos. A ata, contudo, não oferece datas fixas, apenas diretriz para próximos encontros.

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