- Analistas dizem que uma paralisação de três meses nas exportações de LNG do Catar pode levar o preço do gás natural na Europa a até €155/MWh, cerca de três vezes o nível atual.
- A interrupção pode retirar até 21 milhões de toneladas de LNG do mercado global, levando os estoques europeus a níveis considerados críticos para o verão.
- Em 2024-2025, os estoques da UE estavam em cerca de 100 bcm, com a maioria dos países abaixo da média de cinco anos; Alemanha e Países Baixos são os mais que podem estar mais pressionados.
- A Comissão Europeia afirma que não há risco imediato de abastecimento, mas incentiva o reabastecimento antecipado e flexibilizar metas, mantendo os estoques em 90% até 1 de novembro, com possibilidade de queda a 70–75% conforme condições.
- Se a interrupção durar seis meses, alguns analistas apontam cenário similar ao da crise de 2022, com médias próximas a €160/MWh e picos acima de €200/MWh, dificultando o reabastecimento antes do inverno.
O preço do gás na Europa pode disparar caso as importações de LNG do Qatar para a UE permaneçam interrompidas por mais três meses, alertam analistas. A hipótese envolve o risco de o continente enfrentar condições semelhantes à crise energética de 2022, caso o conflito no Oriente Médio se prolongue.
Segundo a Montel Analytics, uma paralisação de três meses do LNG qatari poderia elevar os preços para cerca de €155 por MWh, quase o triplo do patamar atual, em torno de €50 por MWh. A análise considera interrupção no transporte através do Estreito de Hormuz e redirecionamento de cargueiros para a Ásia.
A discussão surgiu após o fechamento do estreito e com a possibilidade de que navios liquefeitos mudem de rotas, impactando a oferta na Europa. Países como Itália e Bélgica seriam os mais afetados pela queda na produção qatari.
Antes da invasão da Ucrânia em 2022, o preço de referência TTF na Europa oscilava entre €70 e €100 por MWh, ainda que não tenha chegado aos picos observados no meio de 2022, quando superaram €300 por MWh.
Especialistas destacam que, se a suspensão durar três meses, até 21 milhões de toneladas de LNG poderiam deixar o mercado global, levando os níveis de armazenamento na UE a patamares críticos para o verão. Atualmente os estoques da UE variam entre 90% e 95% da capacidade, o que equivale a cerca de 100 bcm.
Dados da Gas Infrastructure Europe mostram que a maioria dos países da UE está abaixo da média de 5 anos de armazenamento. Alemanha e Holanda registram reservas bastante reduzidas, enquanto Bulgária e Portugal mantêm níveis próximos ou acima da média.
A Comissão Europeia reiterou que, no momento, a UE não enfrenta problemas de segurança de suprimento. A comissária de energia, Dan Jørgensen, pediu aos estados-m membros que reabasteçam reservas de gás mais cedo para evitar pressões de última hora.
Ana-Kaisa Itkonen, porta-voz da Comissão, afirmou que a UE apoia a flexibilidade de cada país para ativar o reabastecimento e que a coordenação com Estados membros e parceiros globais continua. Os objetivos de armazenamento variam entre 70% e 90%, com ajustes possíveis em condições difíceis.
Cenário de curto prazo
Caso o fornecimento permaneça interrompido, negociações entre europeus e mercados globais podem exigir intervenções governamentais, incluindo medidas de racionamento, se a crise se agravar. A abrangência dessas ações depende da duração da interrupção.
Cenário de seis meses
Se a interrupção se estender para seis meses, especialistas estimam uma pressão de preços próxima a €160/MWh em média, com picos superiores a €200/MWh. A recuperação de estoques antes do inverno seria seriamente comprometida, elevando a necessidade de cortes de demanda para equilibrar o mercado.
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