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Conflito expõe risco energético do Brasil, afirma ex-chefe da Petrobras

Guerra no Irã expõe vulnerabilidade energética do Brasil, cuja capacidade de refino é insuficiente para atender a demanda interna

José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras. Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
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  • O ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli afirma que a guerra no Irã expõe a insegurança energética do Brasil e que interrompeu o projeto de ampliar o refino no país.
  • O Brasil enfrenta falta de capacidade de refino para atender a demanda interna, especialmente por diesel, agravada pela Operação Lava Jato e pela influência de grandes petroleiras; entre 1980 e 2014 não houve construção de novas refinarias, com Pernambuco sendo inaugurada em 2014.
  • Gabrielli diz que os EUA buscam controlar o mercado global de petróleo, e que o Irã pode mudar as exportações por meio do Estreito de Ormuz; Canadá, Guiana e Brasil podem ganhar peso na oferta para China e Índia.
  • O país precisa ampliar a capacidade de refino para melhorar a segurança energética e reduzir a dependência de importação; importadores de derivados cresceram quando as refinarias atuavam com menor capacidade, e hoje chegam a quase 93% de operação.
  • Sobre o hidrogênio verde, ele afirma que só viabiliza a substituição do petróleo se houver nova demanda integrada; a previsão é de domínio do hidrogênio por volta de 2035, desde que haja políticas de demanda.

A guerra no Irã e o recente choque de oferta no petróleo destacam a fragilidade da segurança energética do Brasil, segundo o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli. Ele afirma que o país perdeu espaço para ampliar o refino durante a Lava Jato e sob pressão de grandes empresas do setor.

Gabelli afirma que a conjuntura atual pode alterar a geografia do comércio de petróleo, com maior participação de Brasil, Canadá e Guiana. O Brasil, porém, não tem refinarias suficientes para atender a demanda interna, especialmente por diesel, aumentando a exposição a oscilações internacionais.

A entrevista, divulgada pela Agência Brasil, ocorreu em meio ao lançamento do livro Economia do Hidrogênio: paradigma energético do futuro, editado pelo Ineep. Gabrielli analisa impactos da guerra e o papel das importadoras de combustíveis no mercado doméstico.

H3 Cenário internacional e impactos no Brasil

O ex-presidente da Petrobras sustenta que as sanções e as ações dos EUA visam alterar o fluxo global do petróleo e do gás. Com o controle do Estreito de Ormuz, o Irã consegue direcionar parte do comércio mediante pagamento em yuans, o que afeta a dominância do dólar.

Para ele, países como Canadá, Guiana e Brasil devem exercer papel decisivo na oferta global a partir de 2027, estimando 1,2 milhão de barris/dia a mais no mercado. O Brasil, por sua vez, ficaria mais exposto se não ampliar o refino.

Gabrielli lembra que a capacidade de refino nacional permanece insuficiente para atender a demanda de diesel, gasolina e gás de cozinha. Desde a Lava Jato, houve retração no ritmo de construção de novas refinarias no país.

H3 Importadoras e política de preços

Segundo o ex-presidente, o governo autorizou centenas de importadores de derivados nos últimos anos, o que, em momentos de menor capacidade de refino, favorece a volatilidade do mercado. Mesmo com a retomada de operação das refinarias em 2023, a oferta não supre a demanda interna.

Na avaliação dele, o ajuste de preços domésticos é uma ferramenta de curto prazo para manter o equilíbrio entre oferta e demanda, já que a expansão de refino leva anos para ficar pronta.

H3 Transição energética e hidrogênio verde

Sobre a transição energética, Gabrielli aponta que o petróleo continuará relevante por algum tempo. A saída não vem de um abandono imediato do combustível fóssil, mas de mudanças estruturais na demanda e na logística de produção.

Quanto ao hidrogênio verde, ele afirma que sua viabilização depende de um mercado consumidor próximo aos produtores. A remuneração atual se concentra em refinarias e fertilizantes, com perspectiva de domínio do setor até 2035, se houver decisões políticas rápidas.

Ele cita que, para alcançar esse marco, é necessário avançar na descarbonização de siderurgia, cimento e transporte pesado, com produção conjunta de hidrogênio e combustíveis derivados.

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