- Em 2025 houve recorde de pedidos de recuperação judicial no Brasil, segundo dados do setor de crédito.
- No ano passado, 80 empresas recorreram à recuperação extrajudicial, recorde histórico, conforme o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial.
- A dívida total de 248 companhias subiu de R$ 1,4 trilhão em 2020 para R$ 2,3 trilhões em 2025, conforme dados de especialistas.
- A taxa Selic elevada, mantida em patamar histórico alto, elevou o custo do crédito e pressionou o caixa das empresas.
- Casos emblemáticos incluem a Raízen, que protocolou recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65 bilhões, o maior da história, e o Grupo Pão de Açúcar também informou riscos de continuidade.
O peso dos juros elevados ampliou o aperto de caixa de empresas brasileiras, levando a recordes em recuperação judicial e extrajudicial. Dados de 2025 indicam novo ápice de pedidos, segundo fontes do setor e observatórios especializados.
A dívida total de 248 companhias subiu de 1,4 trilhão em 2020 para 2,3 trilhões em 2024, conforme o CEO da Elos Ayta, Einar Rivero. O diagnóstico aponta fatores macroeconômicos, com destaque para a taxa Selic alta por período extendido.
A corrida por crédito barateou na pandemia, mas o retorno da carga de juros elevou o custo financeiro. O cenário incluiu tensões geopolíticas e mudanças na política tributária externa, que impactaram a gestão de caixa das empresas.
Casos emblemáticos em 2026 sinalizam o agravamento. A Raízen protocolou recuperação extrajudicial no início do mês para renegociar cerca de 65 bilhões de dívidas, segundo fontes do mercado.
O Grupo Pão de Açúcar também recorreu à recuperação extrajudicial, depois de alertas sobre riscos de continuidade de operação em balanço trimestral. Ações incluíram negociações com credores.
Especialistas indicam que a recuperação extrajudicial costuma ser mais rápida e menos onerosa, quando há negociação estruturada com credores concentrados. Em cenários de pulverização, a judicialização tende a soar como caminho.
Alexandre Temerloglou, da Siegen, aponta que a recuperação extrajudicial pode ser a via preferida em condições de acordo viável. A recuperação judicial surge quando a negociação se mostra inviável ou ameaçada por execuções.
O BC cortou a Selic de 15% para 14,75%, mantendo patamar elevado. Mesmo com o recuo, o nível atual aproxima-se de valores vistos há duas décadas, mantendo o custo do crédito alto para empresas.
Analistas destacam que a defasagem de cerca de 12 meses entre juros elevados e respostas em recuperações é um fator-chave. O impacto pleno ainda está em curso, mesmo com cortes futuros incertos.
A carga tributária brasileira também pesa, subindo de 29,2% do PIB em 2020 para 32,3% em 2024. Em janeiro, a arrecadação atingiu novo recorde, estimulada por ajustes de impostos.
Setores mais impactados incluem o varejo, com margens pressionadas pelo custo de capital de giro. O agronegócio registrou o maior número de pedidos de recuperação judicial em 2025, 1.990 casos.
Especialistas ressaltam a necessidade de monitorar o ritmo de quedas da Selic e a reação do mercado de crédito. A dinâmica atual tende a manter o cenário de recuperação judicial e extrajudicial como ferramentas-chave.
Fontes consultadas incluem especialistas em reestruturação, dados do Observatório, e registros de empresas que adotaram as medidas. As informações refletem o ambiente de crédito, tributos e economia global.
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