- Proposta conhecida como “Trump Bill” cria contas de investimento individuais para jovens, com aporte inicial de US$ 1.000, investidos integralmente em ETFs que replicam os principais índices dos Estados Unidos.
- A gestão seria feita por instituições privadas, sem intervenção do governo; a ideia passou por etapas distintas, inicialmente apresentada ao presidente Joe Biden, sem avanço na época.
- Trump incluiu a ideia em seu pacote legislativo; crianças nascidas entre janeiro de 2025 e dezembro de 2028 teriam direito ao aporte inicial, que pode ser complementado por contribuições privadas e só pode ser retirada aos 18 anos.
- O objetivo prático é inserir jovens no sistema de investimentos e favorecer a geração de riqueza, permitindo que participem do crescimento do capitalismo americano com juros compostos.
- A iniciativa já atraiu apoiadores como Ray Dalio, com aportes adicionais que elevam o valor por jovem; há debate sobre se modelos privados de poupança poderiam inspirar mudanças no sistema de previdência pública.
Uma proposta associada ao pacote “Big Beautiful Bill” do governo dos EUA ganhou projeção como a chamada Conta Trump. A ideia prevê uma conta de investimentos individual para jovens, com aporte inicial financiado pelo Tesouro e gestão privada, sem intervenção governamental.
A origem remete a 2019, quando Brad Gerstner, investidor de tecnologia, sugeriu abrir para cada jovem americano uma conta com US$ 1 mil, investidos em ETFs que acompanham os principais índices. O projeto ganhou apoio inicial de nomes como Michael Dell, mas não avançou na época.
O conceito voltou a ganhar tração após ser incorporado ao programa defendido por Donald Trump. A proposta prevê que crianças nascidas entre 2025 e 2028 recebam US$ 1 mil de capital inicial, com possibilidade de aportes privados subsequentes. O dinheiro seria investido e só poderia ser sacado aos 18 anos.
Contribuições privadas podem complementar o aporte inicial, ampliando o capital disponível ao longo da vida. A ideia mira inserir jovens no sistema de investimento e aproximar a população dos benefícios do mercado de capitais, especialmente quem hoje não tem acesso.
Entre os apoiadores já aparecem investidores como Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, que doou recursos para o estado de residência, Connecticut. Outros empresários também teriam aumentado aportes por estado, elevando o total para valores entre US$ 1,2 mil e US$ 2 mil por jovem em alguns casos.
O debate nos EUA envolve ainda a possibilidade de o modelo privado de poupança influenciar o sistema público de Previdência. Economistas avaliam impactos potenciais na educação financeira e no consumo de longo prazo, com efeitos sobre o mercado de capitais.
A discussão suscita reflexões sobre o Brasil. Analistas destacam que o país tem baixa taxa de poupança e poderia explorar modelos de engajamento com o mercado privado, desde que adaptados à realidade brasileira. O tema pode ganhar relevância em eleições nacionais.
Especialistas destacam a necessidade de cautela na transferência de modelos internacionais, para evitar assimetrias e riscos financeiros. Em contexto de crise fiscal, é essencial avaliar custos, governança e mecanismos de proteção ao jovem investidor.
Diversos pontos ainda carecem de detalhamento regulatório e de implementação prática. A viabilidade de replicar o modelo no Brasil depende de políticas públicas, incentivos privados e educação financeira para a população.
Autoria: Felipe Miranda, economista, e Alexandre Bossi, sócio da Perfin, assinam a análise sobre o tema.
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