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Conflito expõe risco energético do Brasil, diz ex-chefe da Petrobras

Guerra no Irã eleva incerteza energética global; Brasil perde fôlego de refino interno e depende de importadores diante novos choques do petróleo

José Sergio Gabrielli, ex-Petrobras de 2005 a 2012
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  • O ex‑presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirma que a guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz expõem a insegurança energética do Brasil, que não amplia mais o refino desde a Lava Jato.
  • Segundo Gabrielli, os EUA atuam para controlar o mercado de petróleo, com impacto sobre a geografia de fornecimento, e o Irã passa a influenciar o fluxo global por meio de um corredor paralelo de petróleo.
  • O Brasil seria beneficiado por maior participação de Canadá, Guiana e Brasil na oferta global, mas enfrenta falta de capacidade de refino para atender a demanda interna, especialmente diesel.
  • As importadoras de combustíveis ganham espaço quando o preço internacional é mais baixo que o nacional, o que pode desbalancear o mercado caso a refinaria não acompanhe a demanda.
  • Sobre a transição energética, Gabrielli afirma que o petróleo continuará relevante no curto prazo; o hidrogênio verde pode ganhar espaço apenas com políticas que incentivem a demanda, com previsão de domínio do mercado por volta de 2035.

Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras (2005-2012), afirma que a guerra no Irã e o choque no preço do petróleo revelam a insegurança energética do Brasil. Ele aponta impactos globais como danos colaterais da chamada “Guerra de Trump” e do regime de sanções.

Gabrielli diz que os EUA buscam controlar o mercado global de petróleo por meio de intervenções na Venezuela e no Irã. A disputa deve alterar a geografia do suprimento, com maior participação do Brasil, Canadá e Guiana para atender a China e a Índia.

Ele ressalta que o Brasil enfrenta limitações de refino para atender a demanda interna, sobretudo de diesel. A conclusão é de que, sem ampliar a capacidade de refino, o país ficará exposto às turbulências do cenário internacional.

O ex-presidente da Petrobras comenta ainda o papel das importadoras de combustíveis no Brasil e o recuo da capacidade de refino durante a Lava Jato. Segundo ele, em 2014 houve inauguração de uma nova refinaria, após décadas sem novas unidades.

Mudanças na geopolítica do petróleo

Gabrielli afirma que o Irã controla parte do Estreito de Ormuz, impondo condições de passagem e moeda de pagamento. Isso evidencia a criação de um mercado paralelo fora das sanções, com impactos sobre o uso do dólar nas transações.

Para ele, o objetivo dos EUA é alcançar esse mercado paralelo e influenciar a oferta global. Canadá, Guiana e Brasil aparecem como países-chave para a oferta de petróleo em 2027, com expectativa de cerca de 1,2 milhão de barris por dia.

A previsão é de que a guerra influencie principalmente a demanda da China e da Índia, países com grande capacidade de refino, mas com dependência de petróleo externo. O Brasil tende a aumentar sua participação nesse fluxo.

Como o Brasil pode se posicionar

Gabrielli aponta que o país enfrenta um problema de segurança energética, com diesel e outros derivados em destaque. A ampliação da indústria de refino seria solução de curto e médio prazos, já que grandes obras demoram anos.

Segundo ele, a Lava Jato dificultou novos investimentos em refino; apenas uma refinaria foi inaugurada entre 1980 e 2014. O governo tem recorrido a medidas de preços para mitigar a demanda e evitar desabastecimento.

Papel das importadoras e perspectiva de transição

O ex-presidente cita a atuação de importadores desde o governo Temer, que reduziram o refino para cerca de 50% da capacidade. Com o governo Lula, em 2023, as refinarias operaram perto de 93% da capacidade, ainda assim insuficiente para a demanda.

Quanto à transição energética, Gabrielli afirma que o uso de combustíveis fósseis não pode ser interrompido abruptamente. Ele vê o hidrogênio verde como peça-chave, desde que haja um novo mercado para sua produção e consumo.

Viabilidade do hidrogênio verde

Para a substituição do petróleo, é essencial que a demanda seja organizada de forma compatível com o transporte, a indústria e a energia. O hidrogênio verde pode viabilizar a descarbonização, especialmente em siderurgia, cimento, transporte pesado e aviação.

A previsão de adoção do hidrogênio verde é de cerca de 2035, segundo analistas. Segundo Gabrielli, as decisões sobre demanda precisam começar já para alcançar esse cenário.

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