- Estudo da Fecomercio-SP aponta custo adicional de R$ 158 bilhões para as empresas se a jornada cair de 44 para 40 horas; para 36 horas, o impacto pode chegar a R$ 610 bilhões.
- O peso é maior para micro, pequenas e médias empresas, que já enfrentam margens apertadas e dificuldade de acesso a crédito.
- Serviços seria o setor mais impactado, com aumento estimado na folha de pagamento de cerca de R$ 76,9 bilhões; indústria, R$ 35,9 bilhões; e varejo, R$ 30,4 bilhões.
- A mudança exigiria reorganização de escalas operacionais em setores como comércio, transporte, logística e saúde, podendo gerar falta de mão de obra em dias específicos.
- Possíveis respostas das empresas incluem redução de contratações, demissões, substituição de trabalhadores mais experientes, aumento de automação e repasse de custos a preços, com efeitos sobre serviços públicos que dependem de escalas contínuas.
A Fecomercio-SP divulgou um estudo sobre o impacto da redução da jornada de trabalho no Brasil. Segundo a entidade, reduzir a semana de 44 para 40 horas poderia gerar um custo adicional de até 158 bilhões de reais para as empresas, enquanto a redução para 36 horas poderia chegar a 610 bilhões.
O cálculo foi feito com base na Relação Anual de Informações Sociais de 2024, do Ministério do Trabalho. A Fecomercio-SP destaca que o efeito seria mais intenso para micro, pequenas e médias empresas, que já enfrentam margens apertadas, juros elevados e dificuldade de acesso a crédito.
O setor de serviços aparece como o mais impactado, com estimativa de aumento de cerca de 76,9 bilhões de reais na folha de pagamentos com 40 horas. Indústria e varejo apresentariam aumentos de 35,9 bilhões e 30,4 bilhões, respectivamente.
Desdobramentos operacionais
Além do impacto financeiro, a entidade aponta dificuldades de organização das escalas de trabalho. Setores como comércio, transporte, logística e saúde demandam atuação contínua e, com menos horas, podem enfrentar falhas de atendimento ou necessidade de reorganização.
Dados da RAIS mostram que 35,7 milhões de trabalhadores formais, equivalentes a 62% dos vínculos celetistas, atuam entre 40 e 44 horas semanais. Agronegócio, construção civil, varejo e indústria apresentam maior concentração nessa faixa.
Possíveis respostas empresariais
A Fecomercio-SP avalia que as empresas teriam dificuldades para absorver o aumento do custo por hora. Entre as medidas citadas estão reduzir contratações, demitir, substituir trabalhadores experientes por mão de obra mais barata, acelerar automação e migrar para formas informais de contratação.
A entidade ainda aponta possível repasse de custos aos preços finais, efeito inflacionário e impactos sobre serviços públicos dependentes de escalas contínuas, como saúde e transporte. A nota ressalta que, para avanços em qualidade de vida dos trabalhadores, é preciso acompanhar ganhos de produtividade para evitar efeitos negativos sobre emprego.
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