- A taxa média de juros cobradas pelos bancos para pessoas físicas subiu em fevereiro, chegando a 62% ao ano, com o cartão de crédito rotativo avançando 11,4 p.p. e atingindo 435,9% ao ano.
- O rotativo continua alto mesmo com a limitação de cobrança vigente desde janeiro de 2024, que não reduz a taxa de juros contratada no momento da aquisição do crédito.
- Nos 12 meses encerrados em fevereiro, os juros do rotativo tiveram queda de 16,7 p.p. para as famílias; o cartão parcelado subiu 5,3 p.p. no mês, indo a 200,2% ao ano.
- No crédito livre, a taxa média para famílias e empresas chegou a 33% ao ano em fevereiro, com alta de 0,3 p.p. no mês; para pessoas físicas no crédito direcionado ficou em 10,8% ao ano.
- O saldo total de concessões chegou a R$ 602,3 bilhões em fevereiro, e o estoque de empréstimos do sistema financeiro ficou em R$ 7,145 trilhões; a inadimplência subiu para 4,3% em fevereiro.
O Banco Central divulgou nesta segunda-feira que a taxa média de juros cobradas pelos bancos subiu em fevereiro, com o cartão de crédito rotativo pesando mais no bolso das famílias. A taxa geral de concessões de crédito livre para pessoas físicas atingiu 62% ao ano, alta de 1 ponto percentual no mês.
O destaque ficou com o cartão de crédito rotativo, cuja taxa avançou 11,4 p.p. em fevereiro, para 435,9% ao ano. Mesmo com o teto de juros aplicado ao rotativo desde janeiro de 2024, as cifras se mantêm elevadas devido à pactuação contratual no momento da contratação.
Apesar da limitação do rotativo, os juros têm variado pouco desde o início do ano. O BC aponta que a medida visa diminuir o endividamento, mas não reduz a taxa praticada no momento da dívida, o que explica a persistência dos juros altos.
Juros por modalidade e crédito direcionado
Nos 12 meses encerrados em fevereiro, o rotativo registrou recuo de 16,7 p.p. para as famílias, enquanto o cartão parcelado subiu 5,3 p.p. no mês, totalizando 200,2% ao ano. O crédito livre manteve alta marginal e o crédito direcionado ficou em 10,8% ao ano para pessoas físicas.
Juros médios de novas contratações de crédito livre para empresas recuaram 0,1 p.p. no mês, subindo 1,1 p.p. em 12 meses, para 24,9%. A taxa de capital de giro com até 365 dias caiu 3,1 p.p. no mês, fechando em 22,5% ao ano.
Condições do crédito e cenário econômico
O crédito direcionado para pessoas físicas ficou em 10,8% ao ano em fevereiro, com queda de 0,3 p.p. frente a janeiro. Em 12 meses houve alta de 0,3 p.p.. A taxa para empresas subiu 0,2 p.p. no mês, para 13,2% ao ano.
Ao considerar recursos livres e direcionados, a taxa média de juros das concessões em fevereiro subiu 0,3 p.p. no mês e 2,6 p.p. em 12 meses, alcançando 33% ao ano. A maior parte desse movimento acompanha a Selic, que foi mantida em 15% por várias sessões do Copom.
Selic, endividamento e saldo de crédito
A Selic teve redução de 0,25 p.p. na última reunião, após elevações entre 2024 e 2025. O BC sinaliza possibilidade de revisões caso haja incerteza no cenário externo, como o conflito no Oriente Médio. O próximo encontro do Copom ocorre em abril.
O crédito total no SFN atingiu R$ 7,145 trilhões em fevereiro, com alta de 0,4% frente a janeiro. O estoque de crédito para famílias subiu 0,6%, enquanto o crédito às empresas ficou estável. O crédito ampliado atingiu R$ 21,043 trilhões.
Endividamento das famílias e inadimplência
A inadimplência acima de 90 dias subiu 0,2 p.p. no mês e 1 p.p. em 12 meses, para 4,3% em fevereiro. Entre pessoas físicas, a inadimplência ficou em 5,2%, contra 2,6% entre pessoas jurídicas.
O endividamento das famílias, relação entre saldo de dívidas e renda, ficou em 49,7% em janeiro, estável mensalmente e com alta de 1,1% em 12 meses. O comprometimento da renda ficou em 29,3% em janeiro, com leve alta mensal.
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