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Bolsa americana cai; comprar tudo que caiu pode ser erro

Correção nos EUA abre janela de entrada seletiva: IA favorece vencedores, prejudica software tradicional

• REUTERS/Brendan McDermid
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  • O S&P 500 está em queda, cerca de 8,7% abaixo do pico histórico de 6.979 pontos em 27 de janeiro; o Nasdaq acumula queda superior a 3% no ano.
  • Três fatores pesaram: ajustes de valuations diante de juros mais altos, incerteza com tarifas que impactam cadeias de suprimento, e o impacto da IA no setor de tecnologia.
  • O mercado divide as empresas: as que desenvolvem IA e infraestrutura tendem a manter fundamentos, enquanto as tradicionais de software podem sofrer com a substituição pela IA.
  • A recomendação é investir de forma seletiva, buscando exemplos como Meta, que usa IA para fortalecer o core business, e evitar ETFs genéricos de tecnologia.
  • Correções de 10 a 15% são comuns em anos de eleições nos EUA; entrada gradual e foco em empresas que utilizam IA como vantagem competitiva são estratégias mais adequadas.

O S&P 500 ficou cerca de 8,7% abaixo do pico histórico de 6.979 pontos atingido em 27 de janeiro. O Nasdaq, com foco em tecnologia, acumula queda superior a 3% no ano. Para o investidor brasileiro que observava de longe, a janela de entrada parece ter se aberto.

Entrar agora exige critério, pois nem tudo o que caiu é igual. O que cai pode ter fundamentos fortes ou pode refletir uma mudança estrutural no setor de tecnologia. Identificar a diferença entre preço atraente e preço que continua caindo é essencial.

Por que a bolsa caiu

Três fatores se uniram para reduzir os preços. Primeiro, ajustes de valuations em meio a juros mais altos por mais tempo, não apenas nos EUA. Segundo, tarifas comerciais criaram incertezas sobre cadeias de suprimento e margens. Terceiro, a disrupção da IA afeta empresas que vendem software tradicional.

ETFs de software chegaram a negociar próximo de 47 vezes o lucro, mas hoje reflitam em torno de 19 vezes. O mercado questiona se a IA substitui o valor desses produtos, elevando a dúvida sobre o futuro de certas modelos de negócio.

Quem foi atingido e quem não

O primeiro grupo envolve empresas que criam IA, chips, infraestrutura e plataformas, cuja queda acompanha o humor do mercado, mas cujos fundamentos podem estar intactos. A segunda leva é formada por negócios de software tradicional ameaçados pela IA, com quedas associadas a mudanças estruturais.

Comprar ações do segundo grupo como se fosse barganha pode ser arriscado em 2026. Já as empresas que utilizam IA como vantagem competitiva tendem a ter melhor controle de custos e perspectivas de crescimento.

E agora, é hora de comprar?

Para quem busca exposição aos EUA e ainda não tem posição, a queda de 8-9% do S&P abre espaço, desde que haja seletividade. Exemplos como Meta, com ampla base de usuários e investimento intenso em IA, aparecem como oportunidades potenciais.

Não convém apostar em um ETF genérico de tecnologia esperando retorno rápido. Parte do recuo pode continuar, pois o modelo de negócio é questionado. Correção de curto prazo não invalida a tese de longo prazo.

Estratégia para quem já tem posição

Correções de 10-15% acontecem em anos normais no mercado americano. O S&P tende a recuar em anos de eleições de meio mandato. Não altera a perspectiva de longo prazo, se a seleção for criteriosa.

Para quem ainda não investiu, uma entrada gradual e seletiva pode fazer mais sentido do que uma compra única. Priorize empresas que utilizam IA como vantagem competitiva, não aquelas cuja rentabilidade depende de modelos vulneráveis.

Conclusão informativa

Evite apostas concentradas em poucas empresas, mesmo as mais sólidas. O preço caiu, mas nem tudo está barato. O critério de avaliação continua essencial, com foco na sustentabilidade dos modelos de negócio diante da IA em evolução.

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