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Moedas latino-americanas devem ser penalizadas com política defensiva

Moedas latino-americanas devem perder valor em abril; o dólar perde apelo de ativo seguro, mas riscos políticos e monetários limitam quedas

Moedas de 1 real
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  • Moedas latino-americanas devem enfraquecer em abril, segundo pesquisa da Reuters com estrategistas de câmbio, diante de defensividade das autoridades por riscos da guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
  • O real brasileiro e o peso mexicano evitaram, em sua maior parte, o choque financeiro visto em emergentes dependentes de petróleo no Golfo desde o início do conflito.
  • Desvalorização de curto prazo pode ficar limitada por expectativas de política monetária mais rígida, com bancos centrais do Brasil e do México adotando postura cautelosa.
  • O real é estimado em cinco por dólar? (cinco vírgula vinte e cinco) no próximo mês e o peso em dezoito vírgula zero seis, conforme mediana de 28 analistas entre 27 de março e 1º de abril.
  • No horizonte de doze meses, consenso aponta real em cinco vírgula trinta e quatro por dólar e peso em dezoito vírgima dez, com riscos ligados à renegociação do USMCA e às eleições no Brasil.

As moedas latino-americanas devem registrar perda de valor em abril, aponta levantamento da Reuters com estrategistas de câmbio. O enfraquecimento ocorre mesmo diante de tensões geopolíticas no Oriente Médio e de defesas de políticas monetárias por autoridades locais.

Segundo a pesquisa, o real brasileiro e o peso mexicano conseguiram evitar grande impacto inicial diante da turbulência nos mercados emergentes dependentes de petróleo. Analistas indicam que o efeito pode ficar contido no curto prazo, diante da rigidez prevista nas políticas monetárias.

A expectativa de uma política monetária mais firme sustenta o cenário. Bancos centrais do Brasil e do México sinalizaram cautela no começo da semana, contribuindo para a percepção de maior controle sobre futuras desvalorizações.

O enfraquecimento do dólar como ativo seguro é visto como fator de apoio para as divisas da região. Mesmo com o conflito no Oriente Médio, os estrategistas apontam que juros reais mais elevados ajudam a sustentar as moedas locais.

Para o dólar, a estimativa mediana entre 28 analistas aponta queda do real para 5,25 por dólar em um mês, frente a 5,18 na terça-feira (31). Já o peso mexicano é esperado em 18,06 por dólar, 0,7% acima.

Erick Martinez, estrategista do Barclays, destaca que o real pode ter melhor desempenho por ser exportador líquido de petróleo, com juros reais elevados. O Brasil iniciou em março um ciclo de ajuste monetário com corte de 25 pontos-base na taxa básica.

Apesar da redução, a Selic permanece em 14,75%, bem acima da meta do Federal Reserve, entre 3,50% e 3,75%. A taxa norte-americana deve permanecer alta pelo menos até setembro.

Para o México, Martinez ressalta que o ciclo de flexibilização pode expor o peso a riscos se o banco central adotar uma postura mais dovish. Recentemente, o Banco do México reduziu a taxa para 6,75% em votação dividida.

No horizonte de 12 meses, a projeção para o real ficou em 5,34 por dólar, uma queda de 3%, e para o peso, 18,10 por dólar, queda de 0,9%. Previsões negativas para o próximo ano refletem preocupações com o USMCA e a eleição no Brasil.

Entre os entrevistados, há divergência sobre o cenário para o real: parte vê mais fraqueza, parte permanece neutra e poucas projeções indicam ganho. Em relação ao peso, a maioria espera desvalorização adicional.

Até o momento, o peso mexicano acumula alta de 0,4% no ano, enquanto o real registra ganho de 5,8% no mesmo período.

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