- Em novembro de 2025, The Independent revelou que um relatório encomendado pela Deloitte continha citações acadêmicas inexistentes, levando à substituição por outras falsas após repercussão.
- A Deloitte não é exceção; apenas a arquitetura organizacional impõe limites à IA. Dados apontam que 47% dos profissionais usam IA no trabalho sem aprovação formal (Salesforce) e 59% das empresas não têm diretrizes claras (McKinsey).
- Modelos de IA evoluíram para sistemas agentivos desde 2025, com autonomia para acessar dados, interagir com ferramentas e executar tarefas.
- Reguladores já cobram governança: o AI Act europeu, em fase de implementação desde agosto de 2025, exige rastreabilidade, governança e clareza sobre o papel humano.
- No Brasil, 72% das empresas estão em estágio inicial de adoção de IA (Sebrae); perguntas-chave para evitar falhas incluem quem tem autoridade para barrar entregas geradas por IA e como garantir responsabilidade clara.
Em novembro de 2025, o The Independent, no Canadá, revelou que um relatório encomendado pelo governo provincial à Deloitte continha citações inexistentes. Estudos inventados e autores que nunca escreveram. A Deloitte revisou o documento, substituiu citações por outras falsas e não houve correção eficaz na revisão.
O caso mostra uma falha de governança ao escalar IA sem controle. A Deloitte não é exceção: é um retrato de organizações que colocam automação acima da responsabilidade humana, com entregas que podem nascer sem visibilidade de como foram construídas.
Segundo a Salesforce, 47% dos profissionais admitem usar IA no trabalho sem aprovação formal. A McKinsey aponta que 59% das empresas não possuem diretrizes claras para esse uso. Juntas, indicam uma prática comum de operação além do radar da liderança.
A tecnologia evoluiu. ChatGPT, Gemini e Copilot passaram a atuar como sistemas agentivos, com autonomia para acessar dados, interagir com ferramentas e executar tarefas. A partir de 2025, não são apenas assistentes de produtividade, mas agentes operacionais.
Regulação e governança
Na prática, a regulação já avança mesmo antes da lei brasileira. O AI Act europeu, em vigor desde 2025, impõe rastreabilidade, governança e clareza sobre o papel humano nas decisões com IA. Em 2026, a aplicabilidade se expande.
Empresas com interface com o mercado europeu precisam demonstrar controles e responsabilidades, algo que muitas ainda não possuem. O episódio da Deloitte antecipa perguntas que reguladores e auditores farão sobre responsabilidade, validação e rastro de decisões.
Para evitar falhas, as organizações devem responder a quatro perguntas-chave: quem tem autoridade para barrar entregas geradas por IA; o que não pode ser delegado a sistemas; onde a IA opera sem aprovação formal; e quem assume responsabilidade se houver erro relevante.
Perspectiva brasileira
Segundo o Sebrae, 72% das empresas brasileiras ainda estão em estágio inicial de adoção de IA. O desafio não é o acesso à tecnologia, mas a estrutura para responder por ela e por entregas. O ano de 2026 exige responsabilidade prática, não apenas experimentação.
No cenário atual, a pergunta central não é se haverá erro no uso de IA, e sim quem saberá agir e onde assinar quando isso ocorrer. A governança precisa ser integrada ao processo de produção, com trilhas de auditoria e validação.
Iona Szkurnik, fundadora da Education Journey, atua como referência no tema. A executiva lidera plataformas de aprendizagem com IA e traz experiência no Vale do Silício. Os artigos citados são de responsabilidade dos autores, não refletindo automaticamente a posição de veículos.
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