- O controlador Fernando Alterio propõe uma OPA para comprar os 60% restantes da T4F a R$ 5,59 por ação, com prêmio de 25% sobre o fechamento de ontem; as ações abriram em alta ao redor do preço da oferta.
- Alterio detém 40,1% do capital; a CIE tem 10%; a Loyall Investimentos possui 7%; o restante é pulverizado; para fechar o capital seriam cerca de R$ 30 milhões.
- A T4F vale hoje cerca de R$ 40 milhões na Bolsa, após queda superior a 97% nos últimos cinco anos; em 2011, o IPO levantou cerca de R$ 600 milhões.
- O controlador atribui a queda à concentração de shows em duas grandes operadoras internacionais (Live Nation e AEG) e à mudança do ambiente, com foco atual em nichos como musicais da Broadway.
- A OPA foi protocolada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que tem 30 dias para decidir; se aprovada, haverá leilão de 30 dias, e dois terços dos acionistas precisam se inscrever para concluir o fechamento.
A T4F, controlador pela família Alterio, protocolou uma oferta pública de aquisição (OPA) que pode levar a empresa de eventos a fechar o seu capital, 15 anos após a abertura de capital. A proposta estabelece o preço de R$ 5,59 por ação, representando um prêmio de 25% sobre o fechamento de ontem, de R$ 4,44. A notícia fez as ações da empresa dispararem na abertura e reduzirem a distância até o preço da oferta. A CVM tem 30 dias para analisar a operação.
Alterio detém 40,1% do capital da T4F, entre participação direta e via veículo de investimentos. A mexicana CIE controla 10% e compõe o bloco de controle. Entre os acionistas do free float, a Loyall Investimentos é a maior participação com 7%. O restante do capital é amplamente pulverizado, com mais de 9 mil acionistas pessoas físicas. Para adquirir os 60% restantes, a oferta exige desembolso estimado em cerca de R$ 30 milhões.
A empresa hoje vale aproximadamente R$ 40 milhões na bolsa, após queda de mais de 97% nos últimos cinco anos. No IPO de 2011, a T4F levantou cerca de R$ 600 milhões. Em termos históricos, o market cap atual é alvo de avaliação inferior àquela captação inicial. A queda acompanha desempenho operacional em deterioração gradual ao longo da década, com faturamento caindo de quase R$ 600 milhões em 2010 para cerca de R$ 180 milhões no último ano, quando houve prejuízo de R$ 54 milhões.
Motivo e contexto da OPA
Alterio justificou a decisão dizendo que o setor de grandes shows passou a ser dominado por players internacionais, o que elevou custos e reduziu margens. Segundo ele, Live Nation e AEG respondem por grande parte da demanda global, o que dificulta a competitividade de promotores regionais. O controlador mencionou que a T4F deixou de ser líder regional e passou a operar em nichos diferenciados, como musicais da Broadway, além de promover turnês nacionais.
A estratégia, portanto, envolve a passagem de capital aberto para fechado, com foco maior em projetos que exigem equity para viabilização. De acordo com Alterio, manter a companhia listada não faz sentido no cenário atual, dada a ausência de projetos que demandem captação de capital via bolsa. A OPA conta com assessoria do BTG Pactual e do Mattos Filho, escritórios que já acompanharam o IPO.
Próximos passos e participação societária
A proposta está sujeita à aprovação da CVM. Se aprovada, será implementado um leilão com prazo de 30 dias, sem alterações no atual cenário de controle até que haja adesão suficiente. Para fechar o capital, é necessário que dois terços dos acionistas participem e aceitem a oferta. Caso o acordo seja confirmado, Alterio planeja manter a T4F operando em nichos verticalizados, mantendo teatros no Brasil e na Argentina e continuando como promotor de musicais, sem atividade de venda de ingressos.
A gestão afirma que o foco continuará em nichos de alto valor agregado, especialmente produções de Broadway, com operação integrada de promotorias e teatros, sem ampliar a exposição a mercados de grande escala. A companhia continua aberta a etapas regulatórias enquanto aguarda a decisão da CVM.
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