- Em um Investor Day, a Vale e a Vale Base Metals disseram que podem financiar a expansão da VBM sem depender de IPO, incluindo participação da Manara Minerals, se necessário.
- A VBM pretende elevar a produção de cobre de 382 mil toneladas por ano para 700 mil toneladas até 2035.
- O capex previsto é de US$ 1,6 bilhão em 2025, com projeção de US$ 2 bilhões a partir de 2027.
- Os planos são de crescimento orgânico, com projetos no Pará e no Canadá e uma joint venture com a Glencore; não foram anunciadas fusões ou aquisições.
- A Vale espera que a unidade de metais básicos gere entre 30% e 35% do EBITDA no longo prazo, elevando sua participação no valor da empresa.
A Vale informou que pode financiar a expansão da Vale Base Metals (VBM) sem abrir capital. A afirmação veio durante o Investor Day realizado ontem no Canadá, em que executivos evitaram qualquer menção a uma oferta pública inicial de ações da unidade de metais básicos. O objetivo é destacar a capacidade de autofinanciamento para os planos de crescimento.
O CFO da Vale, Marcelo Bacci, ressaltou que a empresa e os sócios minoritários da VBM, a Manara Minerals, poderiam aportar recursos caso haja necessidade. A VBM mira dobrar a produção de cobre, hoje em 382 mil t/ano, para 700 mil t/ano até 2035. O tom foi de cautela quanto a cenários de financiamento.
A Vale encerrou 2025 com alavancagem de 0,4x para a VBM. O capex projetado para este ano é de US$ 1,6 bilhão, com incremento para US$ 2 bilhões a partir de 2027. A cisão da VBM da Vale ocorreu em 2024, com venda de 10% à Manara, joint venture entre o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita e a Ma’aden.
Estrutura de participação e metas de produção
Os planos da VBM concentram-se em crescimento orgânico, incluindo projetos no Pará e no Canadá, além de uma joint venture com a Glencore. A empresa também acelerou exploração greenfield no Chile e no Peru, ampliando o potencial de produção.
Durante o encontro, a Vale não apresentou perspectivas de fusões e aquisições. A atuação da unidade de metais básicos deve contribuir com 30% a 35% do EBITDA da Vale no longo prazo, ante 22% em 2025 e 26% projetados para este ano, conforme o grupo.
Analistas destacam que, se a VBM aumentar o peso dentro da Vale, pode haver re-rating para a ação da própria companhia. O CFO ressaltou que a VBM é um pilar estratégico para a Vale, com foco em ampliar não apenas o cobre, mas também o níquel.
Contexto de mercado e avaliações
Especulações sobre IPO da VBM ressurgiram em 2024 e 2021, impulsionadas pela demanda por cobre e níquel, recursos valorizados pela transição energética. Mesmo com o interesse de investidores, executivos preferem financiar o crescimento por meio de recursos internos.
Relatórios de mercado apontam que o preço-alvo para a ação da Vale, com base em cenários atuais de cobre e níquel, varia entre casas de análise, com perspectivas de crescimento para a base de ativos de metais básicos. A visão de longo prazo mantém o foco na expansão orgânica da VBM.
Entre na conversa da comunidade