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Colapso do Banco Master revela manobras para ocultar liquidez, diz TCU

TCU detalha manobras de ocultação de liquidez pelo Banco Master, com uso de fundos e venda de carteiras; dívida de até R$ 52 bilhões para reembolsar investidores

Relatório do órgão descreve ainda deterioração gradual do balanço, aumento de ativos de risco e falhas na capacidade de gerar caixa
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  • Relatório do Tribunal de Contas da União revela que o Banco Master usou fundos de investimento e venda de carteiras para ocultar perdas e manter aparência de solvência.
  • O banco gerava menos caixa do que o necessário para honrar dívidas, levando a problemas de liquidez que antecederam o colapso.
  • Contas indicam que, já em 2021, ajustes regulatórios foram necessários e que, em outubro de 2023, mudou a forma de classificar dívidas com ordem judicial, aumentando custos.
  • Em 2024, o Master expandiu após adquirir o Will Bank, mas o Banco Central identificou falhas de investimento e fez um ajuste de 1,8 bilhão de reais.
  • Planos de venda e reorganização foram contestados, culminando na liquidação do banco em novembro de 2024, com a prisão de Daniel Vorcaro no aeroporto de São Paulo.

O colapso do Banco Master expôs manobras para ocultar problemas de liquidez, segundo relatório do TCU. A instituição, controlada por Daniel Vorcaro, utilizou fundos de investimento e venda de carteiras para esconder ativos ruins, ameaçando a solvência.

O Tribunal de Contas da União detalha que, antes de dezembro de 2024, o Banco Central já monitorava a deterioração das finanças do Master, com supervisão diária requerida. O relatório aponta falhas de gestão contábil e de governança que contribuíram para a crise.

Segundo o TCU, o sistema financeiro precisará reunir aproximadamente R$ 52 bilhões para recompor os investimentos de quem comprou dívida do Master. A situação ganhou destaque após a aquisição do Will Bank, fintech ligada ao grupo, em 2024.

Pelo menos um sinal de tensão apareceu em novembro de 2023, com uma captação que arrecadou apenas R$ 2 bilhões ante a necessidade de R$ 15 bilhões. Os ativos do banco, em sua maioria créditos a empresas, geravam caixa insuficiente para honrar dívidas de títulos.

Para esconder perdas, o Master recorreu a fundos de investimento e à venda de carteiras, prática que levou o regulador a exigir ajustes desde 2021. A manobra coincidiu com mudanças regulatórias que encareceram a classificação de dívidas com ordem judicial.

Em outubro de 2023, o Banco Master teve de lidar com mudanças que tornaram mais onerosa a manutenção dessas dívidas, instrumento que somava mais de R$ 6 bilhões no ativo na época. Os ativos totais já eram, segundo dados, nove vezes maiores que em 2019.

Apesar da crise, a empresa continuou expandindo, comprando o Will Bank no primeiro semestre de 2024. O BC determinou ajustes e apontou que o Will Bank deveria aplicar novos recursos para cumprir obrigações já existentes.

O BC avaliou que o Master precisava de um reequilíbrio de balanço de cerca de R$ 20 bilhões, quatro vezes o valor do patrimônio líquido de R$ 5,2 bilhões. Em meio à tensão, Vorcaro buscou soluções, incluindo venda parcial ao BRB.

Antes da tentativa de acordo com o BRB, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passou a cobrir pagamentos de curto prazo aos investidores, enquanto Vorcaro vendia ativos para capitalização. A intenção era reduzir perdas.

Em novembro de 2024, o Master ofereceu venda a um grupo liderado pela Fictor Holding, mas o BC não avaliou o ato, já que a liquidação já havia sido aprovada naquela noite. O empresário foi detido no aeroporto de São Paulo ao tentar viajar a Dubai.

O relatório do TCU também analisa a atuação do Banco Central na supervisão da empresa, com conclusão de que os entraves à liquidez contribuíram para o quadro de insolvência. O caso é apontado como um dos maiores episódios de fraudes no setor bancário do país.

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