- Tensões nos mercados de energia, causadas pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã, indicam preocupação com a estabilidade financeira, segundo Fabio Panetta, membro do Conselho do Banco Central Europeu, em conferência em Roma.
- Panetta afirmou que a percepção de risco dos investidores está mudando, aumentando o dólar, pressionando juros de longo prazo e levando capitais a saírem de mercados emergentes, o que pode afetar a dívida pública.
- Tajani disse que o conflito pode elevar fluxos migratórios se o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado, afetando fertilizantes, petróleo e gás.
- O BCE também destacou preocupações sobre liquidez e alavancagem em instituições financeiras não bancárias e sobre o crédito privado dos EUA.
- Mesmo com cenário desfavorável, Panetta ressalvou que a Itália está em posição melhor do que em 2022; a inflação da zona do euro subiu para 2,5% em março, com impactos do choque energético, e a recuperação do fornecimento de energia pode demorar até 2026 ou 2027.
Em uma conferência realizada em Roma, o membro do Conselho do Banco Central Europeu (BCE) Fabio Panetta alertou sobre riscos à estabilidade financeira decorrentes da crise energética alimentada pela guerra entre EUA, Israel e Irã. Segundo Panetta, as tensões no setor de energia podem influenciar a avaliação de risco dos investidores globais e pressionar títulos públicos, especialmente em países com elevada dívida.
Panetta destacou que a trajetória de risco se traduz em valorização do dólar, pressão sobre taxas de juros de longo prazo e saídas de capital de mercados emergentes, reflexos de uma busca por ativos mais seguros. O tema foi abordado durante o mesmo evento no qual o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, também participou.
Os comentários ocorrem em meio a preocupações com a liquidez e a alavancagem de instituições financeiras não bancárias. Há temor quanto ao desempenho do crédito privado norte-americano caso o cenário de estresse persista. Mesmo com a possibilidade de resolução rápida do conflito, Panetta observou que a normalização da produção energética levará tempo.
Impactos econômicos e projeções
O BCE considera cenários em que o suprimento de energia só se recuperaria no quarto trimestre de 2026 ou em 2027, caso o choque persista. A inflação na zona do euro chegou a 2,5% em março, ante 1,9% em fevereiro, impulsionada pelos preços da energia.
Essa leitura de inflação acende um alerta sobre a transmissão rápida do choque energético para a economia. Panetta apontou ainda que indicadores-chave indicam uma deterioração da confiança das famílias e potencial desaceleração da atividade econômica real.
Situação italiana e visão de risco
A dupla Panetta/Tajani ressaltou que a Itália atravessa o momento com condições mais favoráveis do que em 2022, quando o país enfrentou o início da guerra na Ucrânia. Os representantes citaram uma percepção mais positiva sobre as finanças públicas italianas, o que sustenta uma posição de maior segurança para investidores.
Segundo Panetta, esse cenário atual ajuda a manter a Itália menos vulnerável a saídas abruptas de capitais, apesar do endurecimento esperado nos próximos meses. As autoridades ressaltaram a necessidade de monitorar os impactos do conflito sobre mercados de energia e financiamento público.
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