- O Ibovespa rendeu 22,65% em dólares no 1º trimestre de 2026, sendo o melhor desempenho entre os principais mercados globais, segundo a Elos Ayta.
- O ganho veio mesmo com a guerra no Oriente Médio e a alta volatilidade, apoiado pela rotação de carteiras e pela entrada de capital estrangeiro.
- O peso do petróleo na balança brasileira ajudou o índice, já que a commodity ficou acima de US$ 100 e elevou ações ligadas ao setor.
- O câmbio brasileiro também foi favorecido pelo carry trade, com a taxa Selic em 14,75% ao ano, mantendo a atratividade de ativos externos.
- Analistas acreditam que o fôlego deve permanecer nos próximos meses, com atenção à eleição de outubro e aos desdobramentos do cenário internacional.
O Ibovespa encerrou o primeiro trimestre de 2026 com o melhor desempenho entre mercados globais, apesar da guerra no Oriente Médio. O índice subiu 22,65% em dólares, entre janeiro e março, segundo levantamento da Elos Ayta. O desempenho superou pares emergentes, como Peru (16,64%) e Colômbia (11,35%), e também indicadores de Wall Street e Ásia.
Analistas citados pelo CNN Money atribuem o destaque doméstico a fatores variados. O petróleo segue acima de US$ 100 o barril, influenciando positivamente as exportações brasileiras e valorizando petroleiras, peso relevante na bolsa local. Além disso, houve rotação de carteiras iniciada no começo do ano, com influxo de capital estrangeiro.
O câmbio brasileiro também contribuiu para o desempenho. O carry trade, diferença de juros entre o Brasil e outros países, manteve o dólar robusto frente ao real, apesar da Selic em 14,75% ao ano. Economistas apontam que a atual atratividade em relação aos EUA favorece entradas de capital.
Cenário internacional e petróleo
A elasticidade entre preços do petróleo e o mercado brasileiro é apontada como vetor relevante para o Ibovespa. A alta de commodities manteve a moeda brasileira em posição favorável para investidores internacionais, contribuindo para a valorização do índice em moeda local.
Compradores externos passaram a buscar ativos mais cíclicos, favorecidos pela recuperação de setores tradicionais. A rotação global de portfólios intensificou a demanda por ações brasileiras mesmo diante da volatilidade geopolítica.
Fluxo de capitais e cenário doméstico
No mês de março, a entrada de capital estrangeiro atingiu cerca de R$ 5 bilhões, segundo especialistas. Esse movimento reforça a percepção de atratividade do Brasil frente aos EUA, diante da desconfiança em ações de tecnologia e da elevação de preços de energia na Europa e na Ásia.
Especialistas destacam que o Brasil tem menor dependência de petróleo importado em comparação a outras regiões, o que ajuda a sustentar o fôlego do Ibovespa. A percepção de maior qualidade da bolsa brasileira deve manter o fluxo de capital externo nos próximos meses.
Perspectivas e riscos
Analistas coincidem em que o viés é de continuidade do ritmo, ainda que com volatilidade. O cenário internacional permanece suscetível a novos desenvolvimentos geopolíticos, enquanto o ambiente doméstico segue atento a eleições e ao ritmo de cortes da taxa Selic.
Economistas destacam que há espaço para novas altas, desde que o fluxo de capital externo continue ativo e o petróleo mantenha níveis que favoreçam a balança comercial. O Ibovespa pode, portanto, manter o fôlego no curto prazo.
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