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Não haverá ChatGPT brasileiro, mas há soberania em IA, diz Manoel Lemos

Curador de IA afirma que o Brasil precisa desenvolver capacidades locais e aplicar IA em setores específicos para manter soberania, não apenas consumir modelos generalistas

Investidor Manoel Lemos diz que empresas brasileiras precisam adaptar IA para setores específicos para manter soberania na nova era tecnológica
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  • Manoel Lemos ressalta a soberania em IA para o Brasil, defendendo que o país adapte a tecnologia a setores como agro e serviços financeiros.
  • Ele afirma que treinar modelos gerais é caro — estimando em torno de US$ 1 bilhão em alguns casos — e o Brasil precisa investir em aplicações específicas e datasets proprietários.
  • O Brasil pode deixar de ser apenas consumidor e desenvolver capacidades locais para usar IA de forma eficiente, sem depender exclusivamente de gigantes estrangeiros.
  • A IA tem potencial de ampliar a produtividade, mas requer infraestrutura, testes e mudança cultural nas empresas para capturar valor real.
  • Startups brasileiras vêm buscando atuação global, com a tendência de agentes de IA (IA autônoma) como evolução futura e foco em negócios com escala internacional.

Manoel Lemos, curador de inteligência artificial do São Paulo Innovation Week, afirmou que o Brasil pode alcançar soberania em IA ao adaptar a tecnologia a setores específicos, como agronegócio e serviços financeiros. O comentário foi feito em entrevista durante o evento, em parceria entre o Estadão e a Base Eventos.

O investidor e membro do conselho da S.A. O Estado de S. Paulo disse que o Brasil não deve investir apenas no treinamento de modelos generalistas, que tem custo elevado. A ideia é desenvolver capacidades para usar IA de forma eficiente no país, reduzindo a dependência de aplicações estrangeiras.

Segundo Lemos, treinar modelos generalistas pode exigir recursos bilionários, GPUs, energia e dados. Por outro lado, o Brasil pode avançar com treinamentos voltados a domínios específicos, explorando datasets proprietários e conhecimentos setoriais. A soberania passa também por uso adequado da IA.

O executivo destacou que há grande oportunidade em setores como agro e finanças, onde aplicações locais podem gerar ganhos relevantes sem replicar o modelo de grandes empresas globais. A adoção responsável da IA demanda infraestrutura, cultura de inovação e testes contínuos.

Entre os impactos da IA, ele apontou aumento de produtividade como prioridade para o Brasil. A ideia é não apenas automatizar tarefas repetitivas, mas reimaginar formas de trabalho, com foco na integração entre tecnologia, processos internos e modelo organizacional.

Lemos também comentou sobre o cenário de investimento em startups. Em um ambiente de VC mais seletivo, empresas de IA ainda atraem atenção, desde que apresentem equipes fortes, estratégia clara e potencial de aplicação prática. O contexto varia conforme o estágio e o setor.

Sobre a tendência de evolução tecnológica, o investidor apontou a “agentificação” dos negócios: IA atuando de forma mais autônoma para resolver problemas. Ele acredita que agentes de IA ampliarão a eficiência e transformarão diversas áreas da economia, com foco em aplicações de alto impacto.

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