- A Squadra Investimentos enviou à Hapvida uma carta pedindo mudanças no conselho de administração e avaliação de venda de operações no Sul e Sudeste, principalmente ativos da Notre Dame Intermédica.
- A gestora, que detém 6,8% da Hapvida, critica a gestão do plano de turnaround e a ausência de indicadores de recuperação, defendendo comparação de custos entre desinvestimentos e simplificação operacional.
- A carta propõe voto múltiplo para a eleição do conselho na assembleia de 30 de abril e indica três nomes para compor a chapa: Tania Chocolat, Bruno Magalhães e Silva e Eduardo Parente.
- A Squadra aponta discrepâncias entre a destruição de valor da Hapvida nos últimos anos e a recomendação unânime do conselho pela reeleição, além de questionar a remuneração proposta de 57 milhões de reais para o conselho em 2026.
- A gestora também critica a remuneração de outras empresas do Ibovespa, acusa o conselho de descompasso com a situação financeira e pede reconsideração do atual processo de sucessão e da poison pill que limita a participação de minoritários.
A Squadra Investimentos enviou uma carta à Hapvida pedindo mudanças no conselho de administração e propôs avaliar a venda de operações no Sul e no Sudeste, regiões com ativos herdados da Notre Dame Intermédica, adquirida em 2022. O documento aponta a necessidade de reduzir riscos de execução e ponderar o custo de oportunidade de desinvestimentos.
A gestora detém 6,8% da Hapvida e é o segundo maior acionista, atrás da família fundadora, com 39,3%. A carta solicita a adoção do voto múltiplo na eleição do conselho, marcada para 30 de abril, e indica três nomes para compor o colegiado.
Propostas e críticas ao cenário atual
Entre os indicados estão Tania Chocolat, ex-chefe da CPP Investments no Brasil; Bruno Magalhães e Silva, ex-analista da Squadra e da JGP; e Eduardo Parente, ex-CEO da Yduqs e ex-chairman da Equatorial Energia. A Squadra aponta que, apesar de consumo de valor, a gestão não entregou indicadores de recuperação nos ativos do Sudeste e Sul.
A carta critica a remuneração proposta para o conselho em 2026, estimada em 57 milhões de reais, equivalente a cerca de 20% do lucro projetado e destacada como a terceira maior entre as companhias do Ibovespa. As cifras colocam o acordo de remuneração em ritmo desfavorável à situação financeira.
A gestora compara a remuneração com a de Bradesco e Rede D’Or, que apresentam valores superiores, e classifica a prática como incompatível com o desempenho recente da Hapvida. O documento cita ainda que o conselho atual recomenda a reeleição do grupo dirigente por unanimidade.
Contexto histórico e operacional
A carta traça um histórico desde o IPO de 2018, ressaltando a influência dos acionistas controladores na composição do conselho. Segundo a Squadra, decisões estratégicas e de governança resultaram na destruição de valor e na queda expressiva de valor da ação, em contraste com a alta do Ibovespa no mesmo período.
A integração dos ativos da Notre Dame Intermédica é descrita como mal efetuada, com deterioração operacional e financeira, maior alavancagem e falta de visibilidade sobre a situação dos negócios. Enquanto a Hapvida informou redução de clientes no Sul e Sudeste, dados da ANS apontam crescimento de beneficiários nessas regiões.
Pedidos adicionais e próximos passos
A gestora solicita que o novo conselho reavalie o processo de sucessão em curso e a introdução de medidas para melhorar a governança. A carta aponta ainda a existência de uma medida de proteção acionária que, na visão da Squadra, limita a participação de minoritários sem trazer benefício claro.
Nos últimos meses, a Squadra informou ter intensificado o diálogo com a administração para aprimorar governança e estratégia. Diante das tratativas frustradas, a gestora afirma cumprir seu papel fiduciário ao reiterar a necessidade de mudanças no alto escalão da Hapvida.
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