- Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Investimentos, afirma que os prêmios dilatados nos juros refletem crescimento da dívida pública e dúvidas sobre a política fiscal, antes mesmo da guerra no Irã.
- O conflito elevou os preços de energia e fez os juros futuros subirem, devendo permanecer altos devido à incerteza monetária global e doméstica.
- A SulAmérica projeta a taxa Selic encerrando 2026 em 13% ao ano, acima dos 12,50% estimados pelo Relatório de Mercado Focus.
- A demanda estrangeira por ações brasileiras deve continuar, mas com foco em opções mais óbvias e fluxo de curto prazo.
- Mudanças na previdência privada aberta trazem pontos positivos e negativos: maior oferta de ativos, porém o IOF sobre o VGBL pode reduzir o interesse no produto.
O CEO da SulAmérica Investimentos, Vida e Previdência, Marcelo Mello, afirma que os prêmios de risco nos juros futuros já estavam elevados antes da guerra no Irã, impulsionados pelo crescimento da dívida pública e dúvidas sobre a política fiscal brasileira. A situação se agravou com o aumento global dos preços de energia, elevando ainda mais os juros futuros.
Mello disse ao Capital Insights, programa do CNN Money em parceria com a Broadcast, que os prêmios dilatados devem permanecer por mais tempo devido à incerteza monetária tanto no Brasil quanto no exterior. Ele sinaliza que o investidor local tende a manter baixo apetite por ações enquanto a Selic permanecer elevada.
A SulAmérica projeta que a taxa Selic encerre 2026 em 13% ao ano, acima dos 12,5% previstos no Relatório de Mercado Focus desta semana. A demanda por ações de estrangeiros deve continuar, sustentada pela diversificação de portfólios, porém com foco nas empresas mais evidentes no momento.
Segundo Mello, o fluxo de capitais estrangeiros é de curto prazo, com predileção por ativos de maior visibilidade. O executivo observa o cenário eleitoral, monitorando pesquisas de intenção de voto e o comportamento de eleitores nas redes sociais, além da predisposição para votar em determinado candidato.
Ainda na SulAmérica, não se espera ruptura na condução da economia diante de qualquer vencedor. O incumbente tende a evitar mudanças abruptas e manter o objetivo de responsabilidade fiscal. Um novo presidente seria mais acionista de ações fiscais, conforme a visão da companhia.
Mudanças nas regras da previdência privada aberta também foram discutidas. A SulAmérica aponta ganhos na diversificação de ativos para fundos de planos, mas critica a cobrança do IOF sobre o VGBL, produto de acumulação de longo prazo. O IOF é visto como obstáculo ao desenvolvimento do produto.
O Capital Insights vai ao ar toda quinta-feira, às 19h, resultado da parceria entre CNN Money e Broadcast. A entrevista com Mello integra a cobertura sobre impactos do cenário externo e fiscal para os investimentos no Brasil.
Entre na conversa da comunidade