- Brent subiu para US$ 109,03 por barril e o WTI chegou a US$ 111,54, com o maior ganho diário desde 2020, refletindo a tensão no Oriente Médio e a guerra no Irã.
- O trânsito pelo Estreito de Ormuz busca adaptação: navios passaram a usar rotas menos usuais, com um comboio de dois superpetroleiros e um navio de gás natural liquefeito emergindo perto de Mascate, em Omã.
- Desde quinta-feira, ao menos cinco embarcações atravessaram o estreito, incluindo petroleiros de Omã, um porta-contêiner francês e um navio de LNG ligado ao Japão, sob políticas iranianas de passagem a navios “amigáveis”.
- Relatórios indicam desvios de carga: ao menos seis navios com diesel no Golfo dos Estados Unidos mudaram de rota para destinos no Atlântico Sul e na África, incentivados pela diferença de preços entre Ásia e Ocidente.
- Implicações econômicas: a demanda por petróleo eleva o prêmio de risco; exportações de combustíveis de transporte recuaram cerca de 1 milhão de barris por dia em março, e estimativas apontam possível impacto inflacionário e pressões sobre juros.
O Estreito de Ormuz, passagem estratégica entre o Irã, Omã e os Emirados, volta a ganhar relevância no cenário do petróleo. A região segue sob tensão, com o Irã mantendo o bloqueio que afeta o trânsito de navios. Bancos e mercados acompanham o movimento com cautela.
Os preços do petróleo subiram fortemente na quinta-feira, impulsionados pelo risco geopolítico na região. Brent fechou em US$ 109,03 por barril, alta de 7,78%, enquanto o WTI avançou 11,41%, para US$ 111,54. O ganho diário foi o maior desde 2020.
Além do impacto nos motores das cadeias de suprimento, dados de rastreamento indicam que navios já buscam rotas alternativas. Uma passagem pouco usual próximo a Mascate, em Omã, foi registrada por Caixin Global, com dois superpetroleiros e um navio de gás natural liquefeito cruzando a região.
Mudanças na circulação de navios
Segundo a Reuters, desde quinta, ao menos cinco embarcações atravessaram o estreito usando trajetos mais lentos ou menos convencionais, incluindo três petroleiros operados por Omã, um porta-contêiner francês e um LNG ligado ao Japão. O Irã tem permitido passagem a navios considerados amigáveis.
A Vortexa aponta que, antes do conflito, o fluxo de óleo combustível pelo estreito era relevante; hoje, o tráfego está quase interrompido. Em 2025, cerca de 580 mil barris por dia cruzavam a região, contribuindo para o peso do custo logístico atual.
Impactos globais e recentes desvios
Relatório aponta queda de cerca de 1 milhão de barris por dia em exportações de fuels no mês de março, puxada pela menor circulação em Ormuz. Países asiáticos passaram a restringir exportações para atender ao mercado interno, com China, Coreia do Sul e Índia adotando medidas.
No Brasil, estudo do IBPT aponta reflexos da alta de combustíveis em todas as regiões, com possível impacto nas próximas leituras do IPCA. Economistas destacam que a inflação pode se manter pressionada por mais tempo.
Desvios também aparecem no Atlântico: seis navios com diesel no Golfo dos EUA mudaram de rota, mirando África e o Atlântico Sul, com Durban como destino principal. O deslocamento é estimulado pela diferença de preços entre Ásia e Ocidente, favorecendo mercados asiáticos.
Projeções e cenários
Mercados avaliam cenários de interrupção prolongada. Goldman Sachs aponta que, se o estreito permanecer com restrições severas por 60 dias, o barril poderia alcançar US$ 145, segundo estimativas recentes. O tema influencia não apenas petróleo, mas alimentos, energia e inflação global.
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