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Cacau inicia novo ciclo com superávit e ajuste de demanda

Cacau inicia 2026 com superávit esperado e estoques em recomposição, mas demanda permanece em ajuste e volatilidade ligada à África Ocidental e ao El Niño

Setor passa por recomposição dos estoques e o ajuste da demanda
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  • Em 2026, o mercado de cacau segue em transição para um novo ciclo, com previsão de superávit e recomposição de estoques.
  • Houve queda das cotações internacionais após o pico acima de US$ 10 mil por tonelada, com preços recuando a patamares abaixo de US$ 3 mil em alguns momentos.
  • A produção mundial registrou alta de aproximadamente 11% na safra 2024/25, impulsionada por condições climáticas favoráveis na África e na América do Sul; para 2025/26, espera-se continuidade do superávit.
  • A demanda global é o principal fator de ajuste, com queda na moagem nos principais centros consumidores, como na Europa, que teve recuo de 5,9% em 2025.
  • No Brasil, a moagem caiu 14,6% em 2025, enquanto o recebimento de amêndoas aumentou 3,7%, e a inflação do chocolate chegou a 26,4% em 12 meses até fevereiro de 2026.

O mercado global de cacau iniciou 2026 em transição para um novo ciclo, saindo de um cenário de escassez para um equilíbrio entre oferta e demanda. Segundo relatório do Itaú BBA, o setor caminha rumo a um superávit após o choque de preços de 2024 e 2025.

A correção das cotações internacionais tem sido expressiva neste ano, após o cacau ter superado US$ 10 mil por tonelada. Em 2026, os preços recuaram para patamares abaixo de US$ 3 mil por tonelada em alguns momentos, refletindo a recomposição de estoques e o ajuste da demanda.

A safra 2024/25 registrou recuperação relevante, com alta de 11% impulsionada por condições climáticas mais favoráveis na África e na América do Sul. Para 2025/26, cresce a expectativa de ampliação do superávit global, com estoques em gradual recomposição.

Demanda em ajuste e volatilidade

Ainda que a oferta tenha melhorado, a retração da demanda tem sido o principal fator de ajuste do mercado. A moagem, indicador do consumo, caiu em grandes centros, com a Europa registrando queda de quase 6% em 2025, o menor nível anual desde 2015.

O relatório aponta que os preços elevados repassados ao consumidor contribuíram para a redução do consumo de chocolate, levando a indústria a reformular portfólios e formulações. O mercado mantém caráter cíclico, com demanda sensível a variações de preço.

Apesar da perspectiva de superávit, a volatilidade persiste. A produção mundial continua concentrada na África Ocidental, responsável por mais de 70% da oferta, enfrentando desafios estruturais como envelhecimento de lavouras, baixa adoção tecnológica e riscos fitossanitários.

Cenário no Brasil e condições futuras

No Brasil, o ajuste também é visível: a moagem caiu 14,6% em 2025, enquanto o recebimento de amêndoas subiu 3,7%, sinalizando demanda doméstica mais fraca diante de custos elevados. Mesmo com a queda das cotações, os preços ao consumidor permanecem elevados.

Em fevereiro de 2026, a inflação do chocolate permaneceu alta, chegando a 26,4% em 12 meses, emperrando o repasse de custos ao consumidor. O cenário sugere atenção contínua às condições climáticas na África Ocidental e à possível influência do El Niño.

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