- O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes usados na agricultura, o que pode provocar alta de custos e, subsequentemente, de preços de alimentos.
- Em 2025, o país importou aproximadamente 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes, recorde histórico, enquanto a produção nacional ficou abaixo de oito milhões.
- O conflito no Oriente Médio interrompe o envio de fertilizantes para grandes produtores, incluindo Brasil, o que pode elevar preços nos supermercados ao longo dos meses.
- O repasse de choques aos alimentos tende a ocorrer de seis a doze meses, com impactos iniciais em produtos de ciclo mais curto, como feijão, e mais tarde em arroz, milho e soja.
- Especialistas destacam vulnerabilidades estruturais do Brasil, como dependência de importados, volatilidade cambial e custos logísticos, que mantêm o setor suscetível a novos choques internacionais.
O aumento nas tensões no Oriente Médio pode afetar o preço de fertilizantes e, indiretamente, o custo de alimentos no Brasil. País ainda depende de importações para cerca de 85% desses insumos usados na agricultura, ampliando a vulnerabilidade diante de deslocamentos logísticos e comerciais.
A escalada do conflito interrompeu o envio de fertilizantes para grandes produtores globais, incluindo Índia, Tailândia e Brasil. A situação preocupa pela influência nos custos de produção e, por consequência, nos preços ao consumidor.
Causas e contexto
A indústria aponta que o Brasil, quarto maior consumidor global de fertilizantes, não tem produção interna suficiente para atender a demanda. Em 2025, a importação atingiu cerca de 45,5 milhões de toneladas, segundo a Conab, com produção doméstica abaixo de 8 milhões.
Os especialistas destacam que o efeito sobre a inflação de alimentos costuma ocorrer de forma gradual. Choques externos elevam preços de energia e fretes, que, por sua vez, impactam insumos agrícolas e, por fim, o custo final dos produtos.
Dinâmica de transmissão
A pesquisadora Cristina Helena Pinto, da PUC-SP, explica que o aumento ocorre em etapas. Custos logísticos elevam preços dos portos brasileiros, como Santos e Paranaguá, antes de alcançar o varejo.
Segundo o especialista Fabrício Tonegutti, efeitos iniciais tendem a aparecer em itens de ciclo curto, como feijão e algumas hortaliças, com repasse em seis a 12 meses. Arroz, milho e soja devem sentir impactos mais tarde.
Caminho até o consumidor
Caso a crise persista, a elevação de custos pode atingir proteínas como frango, ovos e carne suína, pela dependência de grãos na ração animal. Atrasos ou reajustes contratuais podem ocorrer se fornecedores acionarem cláusulas de força maior.
O Ministério da Agricultura acompanha os desdobramentos internacionais e destaca a necessidade de cautela diante da especulação de preços. Autoridades enfatizam evitar compras em momentos de teto artificial de valor.
Perspectivas e vulnerabilidades
Especialistas ressaltam vulnerabilidades estruturais do Brasil: dependência de fertilizantes importados, volatilidade cambial e sensibilidade a custos logísticos. Diferentemente de 2022, não há resolução rápida para esse tipo de risco.
Para especialistas, a trajetória de preços dependerá da duração do conflito, de reajustes cambiais e da capacidade de diversificação de fornecedores. O cenário é de incerteza para os próximos ciclos agrícolas.
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