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Volta ao trabalho após ter filhos: 8 verdades que explicam o cenário

Maternidade reduz renda inicial em média cerca de 25%, enquanto o mercado ainda penaliza trajetórias femininas e exige redes de apoio para retorno

A volta ao trabalho após a chegada dos filhos — Foto: Freepik
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  • Aproximadamente vinte e cinco por cento é a queda salarial média observada no primeiro ano após o nascimento de um filho, com efeitos que se estendem à carreira.
  • Quase trinta por cento das entrevistadas afirmam que a maternidade foi a principal razão de interrupção profissional, destacando que o problema não aparece com a mesma intensidade para homens.
  • O retorno ao trabalho costuma trazer culpa, ansiedade e estresse; nem todas as mulheres estão felizes com o retorno.
  • Rede de apoio e planejamento — incluindo modelos de trabalho híbrido e políticas de retorno estruturado — são cruciais para reduzir evasão e manter talentos.
  • A maternidade desenvolve competências valorizadas pelo mercado, como gestão de crise, priorização e adaptação, mas muitos processos de seleção ainda não reconhecem esses ativos.

O retorno ao trabalho após a chegada dos filhos ainda é um desafio para muitas mães. Estudos mostram que a maternidade impacta salários e oportunidades, mesmo quando a competência permanece. A desigualdade salarial persiste no primeiro ano após o nascimento.

Dados de pesquisas recentes revelam que a transição é acompanhada de efeitos ao longo da carreira. O tema envolve tanto impactos econômicos quanto emoções como culpa e ansiedade, refletindo falhas estruturais no mercado de trabalho.

Não é apenas uma data no calendário: a experiência envolve planejamento, apoio organizacional e redes de suporte. A seguir, apresentamos os principais pontos que emergem dessas evidências, com relatos de profissionais.

1. Você não “perdeu” competência

A maternidade amplia habilidades como priorização e gestão de pressão. Defensora da causa, Camila Antunes ressalta que o MBA coletivo adquirido pela mãe é valorizado, mas nem sempre é reconhecido nos processos seletivos.

Essa transformação não cria habilidades novas, mas aprofunda competências já exigidas pelo mercado atual. O desafio está na leitura desses atributos pelos recrutadores, que ainda não os sistematizam.

2. O mercado ainda penaliza a maternidade

Relatórios internacionais indicam a maternidade como ponto de inflexão em trajetórias, principalmente em cargos de liderança intermediária. Casos reais mostram demissões ou exclusão de projetos, muitas vezes em momentos de instabilidade organizacional.

Termos como deslegitimação subjetiva descrevem a percepção de que a mãe é menos disponível ou confiável. A prática varia conforme a cultura da empresa e o gestor, afetando planos de carreira.

3. Culpa, a velha conhecida

A culpa não é individual, mas social. Estudos associam ansiedade, medo e culpa a retorno ao trabalho, especialmente sem redes de apoio. Profissionais afirmam que modelos ideais de mulher profissional e mãe dedicada entram em choque.

Especialistas destacam que a cobrança social sobre disponibilidade plena continua, dificultando o equilíbrio entre vida pessoal e carreira e sobrecarregando a mulher.

4. Tudo bem não estar feliz no retorno

Retornar nem sempre é motivo de celebração. Relatórios indicam altos índices de estresse e insatisfação com o tratamento recebido no retorno. Algumas mulheres deixam empregos por exaustão emocional.

Casos mostram caminhos diferentes: algumas retornam com apoio interno e adaptação flexibilizada, mantendo o vínculo com a empresa. Outros optam por transições para modelos híbridos ou novas funções.

5. Voltar não é só um dia no calendário

O retorno envolve adaptação gradual e reconstrução identitária. Pesquisas sugerem que mães passam a buscar trajetórias mais alinhadas aos novos papéis e prioridades. A transição requer tempo e acolhimento organizacional adequado.

Especialistas defendem planos estruturados de retorno, com recursos de orientação e ajustes de liderança, para reduzir evasão e promover bem‑estar.

6. Rede de apoio precisa ser parte do plano

Rede de apoio é fundamental. Em muitos contextos, combinar suporte familiar com políticas da empresa reduz custos de turnover e melhora resultados. Organizações devem facilitar licenças, flexibilidade e redes de cuidado.

Gestoras destacam que acolhimento da parentalidade transforma retenção de talentos, fortalecendo marca e desempenho organizacional.

7. Networking é ouro

O networking costuma abrir portas reais para mães que retornam. Colegas que enxergam competências além do currículo podem oferecer oportunidades de emprego e projetos, fortalecendo vínculos profissionais.

Casos mostram que apoiar a volta por meio de redes já estabelecidas facilita a reinserção e a retomada de etapas estratégicas na carreira.

8. Mudanças acontecem

Recomeçar pode significar migração de área, empreendedorismo ou redução de ritmo. O retorno não precisa replicar o passado; é possível negociar o futuro, com formatos de trabalho mais adequados às novas condições de vida.

Profissionais destacam que mudanças estruturais, como novos modelos de liderança e flexibilidade, ajudam a equilibrar vida pessoal e carreira e a manter a produtividade.

O mercado e a maternidade

Evoluções recentes incluem licenças mais longas, políticas de diversidade e atenção à parentalidade como pauta estratégica. Ainda é necessário avançar em remuneração, retenção e cultura de disponibilidade real.

Competências humanas em alta, como comunicação e gestão de crise, aparecem entre as mais requisitadas para liderança. O desafio é transformar a prática em políticas consistentes que respeitem a vida das mães.

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