- O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que agentes financeiros reagem à pouca informação sobre os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
- Ele afirmou que o cenário dificulta a precificação do futuro e que o BC busca entender melhor o problema para fazer movimentos mais seguros.
- Em seminário da Fundação Getulio Vargas, Galípolo apontou duas possibilidades para o choque de oferta do conflito: retorno rápido à normalidade ou impacto produtivo intenso e prolongado.
- O BC iniciou o ciclo de cortes da Selic para 14,75% ao ano; a ata do Copom indicou que o aperto monetário pode permanecer menos intenso por causa da inflação.
- O preço do petróleo Brent subiu no contexto do conflito, aproximando-se de US$ 110,40 o barril, e o BC busca evitar que choques de oferta gerem efeitos de segunda ordem, como uma espiral salário-preço.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira que agentes financeiros reagem à pouca informação sobre os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio. O cenário atual complica a precificação do futuro e exige cautela para movimentos de política monetária.
Ele destacou que a instituição busca entender melhor o problema para atuar com movimentos mais seguros. A ideia é ganhar tempo para conhecer os impactos antes de decidir sobre novas medidas.
Galípolo participou do 12º Seminário Anual de Política Monetária, promovido pela FGV no Rio de Janeiro. O tema central foi o futuro da SELIC e do IPCA diante da incerteza geopolítica.
Cenários delineados pelo BC
O presidente citou dois caminhos possíveis para o impacto dos choques de oferta no petróleo, decorrentes da guerra no Oriente Médio. Um choque de oferta mais curto, com retorno à normalidade em prazo menor, e outro mais intenso, com efeitos deletérios sobre a produção global.
Segundo ele, a atuação conservadora do Copom em 2025 criou margem para avaliar os próximos passos. A ideia é evitar propagação de choques econômico-aggrega aos salários, evitando uma espiral de preço.
Mercado e inflação
A mediana das projeções de agentes financeiros para a inflação de 2026 subiu para 4,36%, acima da meta de 3% com tolerância de até 4,5%. Em março, o BC afirmou que a probabilidade de a inflação ficar fora da meta em 2026 é de 30%.
O BC iniciou o ciclo de flexibilização, reduzindo a Selic para 14,75% ao ano. Galípolo afirmou que há tempo para entender os impactos da guerra sobre a economia antes de novas decisões.
Cenário atual e perspectivas
O conflito entre Irã, Israel e EUA afetou a oferta global de petróleo, com interrupções no Estreito de Ormuz. O preço do Brent, que antes do conflito rondava US$ 70 o barril, alcançou cerca de US$ 110,40 às 14h30 desta segunda-feira.
O BC enfatiza que o objetivo é conter possíveis efeitos de segunda ordem dos choques de oferta, evitando impactos adicionais na inflação pela via de salários. A instituição continua monitorando o cenário externo para orientar a política monetária.
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