- O mercado acompanha a guerra no Oriente Médio com olhar relativamente otimista, mesmo com a alta recente do petróleo.
- O boletim Focus apontou alta pela quarta semana consecutiva nas projeções de inflação, chegando a 4,36%.
- O otimismo é sustentado por menções a acordos de cessar-fogo que poderiam encerrar o conflito em semanas.
- Existe o risco de desabastecimento caso não haja entendimento sobre os preços do petróleo, com subida superior a 50% desde 27 de fevereiro.
- O Brasil é dependente do modal rodoviário (90% de pessoas e 70% das mercadorias) e, com a crise, o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, agrava o cenário; a produção no Oriente Médio caiu entre 30% e 40%.
O mercado financeiro acompanha os desdobramentos da guerra no Oriente Médio com olhar definido por um viés otimista, embora haja elevação nos preços do petróleo e impactos em economias locais. A leitura se sustenta nas projeções do boletim Focus, que voltou a subir, indicando inflação de 4,36% para este ano.
A analista Rita Mundim aponta que o otimismo decorre das recorrentes menções a acordos de cessar fogo e ao fim do conflito em semanas. Ela, porém, ressalta que o tempo passa e o preço do barril não recua, pelo contrário, segue em alta.
Impactos no setor de combustíveis
O conflito aumenta a gravidade da crise energética, com cerca de 20% do petróleo mundial passando pelo Estreito de Ormuz. Mundim comenta que vivemos a pior crise energética do século, afetando toda a logística de commodities, especialmente o petróleo.
Insegurança jurídica e risco de desabastecimento
Há alerta sobre risco de desabastecimento caso não haja entendimento sobre a escalada de preços. Desde a véspera do início do confronto, os preços já subiram mais de 50%, cenário que pode levar a repasses para o consumidor ou a necessidade de subvenções.
Além disso, distribuidoras enfrentam insegurança jurídica, pois tentam receber subvenções concedidas em 2018 e enfrentam disputas judiciais nesse tema.
Dependência do modal rodoviário
O Brasil é especialmente vulnerável pela dependência do transporte rodoviário: 90% do movimento de pessoas e 70% das mercadorias passam por esse modal. A produção regional de petróleo no Oriente Médio já sofreu redução entre 30% e 40%, o que eleva a pressão sobre preços e logística.
Mesmo com reduções na produção, o escoamento fica comprometido pela dificuldade de passagem por Ormuz, o que mantém a escalada dos custos.
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