- Em 2025, foram 977 pedidos de recuperação judicial no Brasil, alta de 5,5% ante 2024.
- O total envolveu 2.466 empresas, recorde em 10 anos, com salto de 13% na quantidade de companhias.
- Agro (30,1%) e serviços (30%) lideraram os pedidos; comércio respondeu por 21,7% e indústria por 18,2%.
- Enquanto as recuperações sobem, os pedidos de falência caíram 19% em 2025, para 698.
- Inadimplência segue alta: 8,7 milhões de empresas negativadas em janeiro de 2026, dívida média de R$ 23.138 e cerca de sete restrições por CNPJ.
O número de recuperações judiciais (RJ) registradas no Brasil em 2025 atingiu recorde, segundo indicador da Serasa Experian. Foram 977 pedidos, alta de 5,5% ante 2024, envolvendo 2.466 empresas. O sinal de alerta está na concentração de companhias por processo.
A leitura aponta que um único pedido envolve múltiplos CNPJs, muitas vezes de empresas ligadas. O efeito é ampliar o impacto financeiro e elevar o risco sistêmico nas cadeias produtivas diante de crédito mais restrito.
Crédito caro muda o perfil da crise
O cenário é de crédito seletivo e caro, levando a RJ a funcionar como ferramenta de reorganização de balanços. Empresas que ainda operam recorrem para renegociar dívidas em um ciclo de juros elevados.
Entre 2023 e 2025, o crescimento de RJ desacelerou, mas permaneceu elevado: 36,2% em 2023, 26,4% em 2024 e 12,9% em 2025. A desaceleração reflete novo patamar de estresse financeiro, não alívio imediato.
Agro e serviços lideram
A distribuição setorial mostra agropecuária com 30,1% das RJ, seguida de serviços com 30%. Comércio responde por 21,7% e indústria por 18,2%. O peso do agro cresceu desde 2012, quando representava 1,3%.
A relevância dos serviços está ligada à demanda e ao custo de capital. Comércio e indústria perderam participação, mas mantêm peso absoluto nos números.
Menos falências, mais renegociação
Em 2025, houve 698 pedidos de falência, queda de 19% frente a 2024. A mudança indica maior uso de renegociação e reestruturação antes da falência, diante de instrumentos disponíveis e custos de quebras.
Foram 977 pedidos de RJ em 2025, contra apenas 62 de via extrajudicial, quase 16 para 1. O ritmo reforça a RJ como principal mecanismo de ajustar balanços em momentos de aperto financeiro.
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