- Em 2025, 2.466 empresas entraram com pedidos de recuperação judicial no Brasil, o maior volume desde o início da série em 2012.
- O total de processos de recuperação judicial em 2025 foi de 977, o maior em dez anos, com crescimento de 5,5% ante 2024.
- O setor agropecuário respondeu por 30,1% dos pedidos de recuperação judicial em 2025, com 743 casos, o que representa forte avanço em relação a anos anteriores.
- Serviços ficou em segundo lugar, com 739 pedidos e participação de 30,0%, seguido por comércio com 535 pedidos (21,7%) e indústria com 449 pedidos (18,2%).
- A explicação para o aumento envolve ambiente de juros elevados e desaceleração econômica, que pressionam o endividamento das empresas, segundo a Serasa Experian.
A taxa básica de juros elevada segue pressionando as empresas em 2025. Dados da datatech, com base em pedidos de recuperação judicial, apontam recorde no ano passado, puxado pelo agronegócio e por serviços. Panorama sugere continuidade do desafio até meados de 2026.
No total, 2.466 companhiaspediram recuperação judicial em 2025, maior nível desde o início da série em 2012, segundo a Serasa Experian. O número representa um aumento de 13% em relação a 2024. A datatech compila pedidos em todas as comarcas do país.
Ainda em 2025, 977 processos envolveram várias empresas de um mesmo grupo, alta de 5,5% frente a 2024. Economista da Serasa aponta que o cálculo apenas por CNPJs revela um quadro mais alarmante, exigindo atenção à real capacidade de solvência das empresas.
Agropecuária no topo
A agropecuária respondeu por 30,1% dos pedidos, com 743 ocorrências, mantendo a liderança. Serviços registraram 739 pedidos, 30% do total. Comércio ficou em 535 pedidos (21,7%), e indústria somou 449 (18,2%).
A participação do agro cresceu significativamente desde 2012, quando representava 1,3% do total. Em 2025, a fatia chegou a 30,1%. O levantamento associa o peso do setor à expansão econômica ligada ao agronegócio, com riscos de preço e custos elevados.
Cenário macro e impactos
A leitura é de que juros altos encarecem crédito e dificultam rolagem de dívidas. Em 2016, o volume de recuperações judiciais atingiu 1.011, num contexto de recessão. Hoje, a desaceleração econômica permanece, mas com juros ainda elevados.
Especialistas destacam que o cenário atual difere do de 2016. A recuperação extrajudicial ganha espaço por ter custo menor e permitir continuidade operacional, sem necessidade de administrador judicial. Em 2025, foram 62 casos homologados.
Expectativas e números adicionais
A Serasa projeta que a taxa de juros ficará em patamar elevado mesmo após cortes, levando a mais desafios de renegociação. O brilho de 2026 dependerá de fatores como inflação, câmbio e demanda interna. O índice de inadimplência segue relevante indicador futuro.
Dados apontam que 8,7 milhões de CNPJs estavam negativados no início deste ano, com dívida média próxima de R$ 23 mil e cerca de sete restrições por empresa. Isso antecipa possíveis novas solicitações de recuperação.
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