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Stone enfrenta desafio com a maquininha e aposta em novos negócios

Stone vive a transição de maquininha para plataforma financeira, enquanto ações caem mais de 20% em pouco mais de um mês e investidores duvidam do ritmo de crescimento

Stone vive entre o desafio da maquininha e a promessa dos novos negócios
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  • A ação da Stone caiu cerca de 20% em pouco mais de um mês, após resultados abaixo do esperado no quarto trimestre e guidance decepcionante.
  • A empresa busca ampliar atuação além de pagamentos, mirando uma posição mais próxima de banco, conforme declarou o CEO Mateus Scherer.
  • A Stone tem cerca de 20% de participação de mercado em pagamentos no segmento de PMEs, mas crédito e serviços de banking representam apenas 1% a 2%.
  • Para 2026 e 2027, a Stone projeta lucro bruto entre R$ 6,6 bilhões e R$ 7 bilhões, e entre R$ 7,2 bilhões e R$ 8,3 bilhões, respectivamente, com crescimento de TPV abaixo do esperado e operações mais caras.
  • Investidores acompanham a possibilidade de recompra de ações, dividendos e eventuais movimentos de M&A, com avaliação de que o papel está descontado ante o potencial de geração de caixa e rede de depósitos não remunerados.

A Stone & Co. vive o desafio de ampliar o alcance além da maquininha, após uma queda de 20% na ação em pouco mais de um mês. O movimento começou com resultados do quarto trimestre abaixo do esperado e um guidance considerado decepcionante. A companhia busca confirmar uma transformação rumo a um modelo mais próximo de banco.

O CEO Mateus Scherer afirmou ao Brazil Journal que a empresa está se reorganizando para ter “cada vez mais uma cara de banco e menos de uma maquininha”. O objetivo é sustentar o crescimento de forma mais previsível, além de manter a liderança entre micro, pequenos e médios varejistas.

Desempenho e perspectivas

Investidores questionam a capacidade da Stone de entregar essa mudança antes de ser pressionada pela concorrência. Um gestor informou que bancos já utilizam a adquirência como serviço dentro de pacotes mais amplos, oferecendo precificação mais competitiva. O desempenho recente reforça esse dilema.

O BTG Pactual não espera solução rápida, mas entende que a Stone pode entregar melhoria nos próximos anos. Analista do banco ressalta que o valuation já precifica parte das incertezas, embora reconheça o desafio da visão de curto prazo. O ambiente competitivo influencia as expectativas.

A Stone construiu forte canal de distribuição entre varejistas, com lucro de R$ 2,5 bilhões em 2025, 17,5% acima de 2024. A participação de mercado em pagamentos para PMEs fica em torno de 20%, enquanto crédito e banking representam apenas 1% a 2%.

A carteira de crédito da Stone ampliou-se rapidamente em 2025, mas soma apenas R$ 2,8 bilhões em dezembro. O portfólio total aponta para um mercado endereçável de cerca de R$ 100 bilhões, distribuído entre as verticais de pagamentos, crédito e gestão de caixa.

Custos, metas e possíveis movimentos

Ainda que o negócio de adquirência permaneça relevante, a margem tende a encolher com o tempo. O quarto trimestre apresentou menor crescimento de TPV e churn alto, impactos agravados por consumo mais fraco. A empresa cita competição forte e problemas de execução em algumas frentes.

O guidance para 2026 ficou entre R$ 6,6 bilhões e R$ 7 bilhões de lucro bruto, com projeção de R$ 7,2 bilhões a R$ 8,3 bilhões para 2027, números abaixo do que estimavam analistas. A Stone prevê alta de TPV de cerca de 5% neste ano, menor que o crescimento de SG&A.

CFO Diego Salgado lembrou que reduzir a incerteza envolve sinais de melhoria gradual. Scherer comentou que a empresa pode reduzir custos com tecnologia e IA para aprofundar a evolução de uma plataforma completa, mantendo o foco em PMEs.

Opções de investimento e remuneração

Quem comprou ações nas últimas semanas aposta no desconto atual e no potencial de dividendos. A Stone negocia a 5,7x o lucro esperado para 2026, um múltiplo entre os mais baixos do setor. Parte do valuation considera a venda da Linx, de R$ 3,1 bilhões, destinada a recompra de ações e dividendos.

Estimativas apontam dividend yield elevado após a distribuição, com recursos de cerca de R$ 2 bilhões de recompra. A empresa também mantém cerca de R$ 10 bilhões em depósitos não remunerados, que rendem com juros de 15%.

O contexto aponta para possível movimento de consolidação no setor. Analistas destacam que a Stone pode ficar mais atrativa para fusões ou aquisições, embora ressaltem a necessidade de ajustes na estrutura operacional.

A operação atual indica que a Stone continua focada na evolução da oferta para as PMEs, buscando equilíbrio entre simplificação de produtos, execução e disciplina de capital para sustentar o crescimento no médio prazo. A companhia não confirmou mudanças imediatas em sua estratégia de negócios.

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