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Choque da guerra reduz espaço para corte da Selic, diz diretor do BC

Diretor do BC afirma que Selic tem folga menor diante de choque de preços do conflito no Irã; calibragem evita afrouxamento e mantém juros restritivos

Prédio do Banco Central em Brasília
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  • O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse que a Selic hoje tem mais gordura do que há seis meses, mas o choque de preços causado pela guerra no Irã tende a reduzir essa folga.
  • O BC iniciou um processo de calibração da taxa, não de afrouxamento, com o objetivo de manter juros em território restritivo.
  • Em março a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, mas não houve sinal claro sobre próximos passos.
  • O diretor ressaltou que incertezas aumentaram no cenário atual, e que o BC tem convicção de que a política monetária está funcionando.
  • Sobre o câmbio, o dólar avançou frente ao real desde o início da guerra, e a volatilidade da moeda dificulta o alinhamento da inflação à meta.

O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, afirmou nesta quarta-feira (8) que a taxa Selic tem hoje mais “margem” do que em seis meses, mas que o conflito no Irã atua para reduzir essa folga ao provocar choques de preços relevantes. O comentário ocorreu em evento promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo.

David destacou que o BC iniciou uma calibração da taxa Selic, não um afrouxamento, com objetivo de manter os juros em território restritivo. Segundo ele, o cenário atual guarda maior incerteza, mas a autoridade monetária mantém a convicção de que a política está funcionando.

O BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual em março, para 14,75% ao ano, e não sinalizou claramente próximos movimentos. O objetivo continua manter os juros em nível elevado, diante de pressões inflacionárias e de mudanças no ambiente externo.

A piora das previsões de inflação para 2027 e 2028 é citada pelo BC como motivo para não abandonar o manejo restritivo. Segundo David, a visão de que o BC pode não combater efeitos de segunda ordem da inflação seria equivocada. O objetivo permanece a meta de inflação.

No que diz respeito ao câmbio, o diretor observou a trajetória do dólar frente ao real desde o início da escalada entre EUA, Israel e Irã. O real acompanhou o movimento global, com volatilidade e ciclos de alta e baixa, sem destoar muito de pares.

David apontou que a volatilidade cambial dificulta o ajuste da inflação à meta, e que as ações do BC buscam reduzir essa osc igilidade. Ele ressaltou que o desempenho do câmbio pode influenciar as decisões da autoridade monetária a respeito dos juros.

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