- A IATA informou que a recuperação do fornecimento de combustível de aviação deve levar meses, mesmo com a possível reabertura do Estreito de Ormuz, devido a interrupções na capacidade de refino no Oriente Médio.
- O combustível de aviação é a segunda maior despesa das companhias aéreas, correspondendo a cerca de 27% das despesas operacionais.
- O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã prejudicou o fornecimento global de combustível, e notícias sobre cessar-fogo e passagem segura impulsionaram as ações das aéreas.
- Companhias aéreas globais reduziram voos, aumentaram escalas de reabastecimento e buscaram estoque extra, com impactos positivos nas ações na Ásia e na Europa.
- A reabertura do estreito ajudaria o fluxo de petróleo e de produtos refinados; porém, levaria tempo para as refinarias fora da região aumentarem a produção, com Índia e Nigéria citadas como potenciais aumentos.
O custo do combustível de aviação deve permanecer elevado por meses, mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã. A previsão é de recuperação gradual do abastecimento global, segundo a IATA, a associação que representa as companhias aéreas. A entidade aponta interrupções na capacidade de refino no Oriente Médio como principal causa.
Conforme a IATA, o combustível é a segunda maior despesa das companhias, respondendo por cerca de 27% das despesas operacionais. O recente fechamento do Estreito de Ormuz interrompeu o fornecimento global, enquanto notícias de cessar-fogo e passagem segura estimularam altas nas ações de diversas empresas.
A comparação é com choques anteriores, como as crises de 2008-2009 e os impactos do 11 de setembro. A IATA lembra que a recuperação de grandes interrupções costuma levar meses, citando prazos históricos próximos de quatro meses ou mais.
Impactos de curto e médio prazo
Companhias aéreas ao redor do mundo reduziram voos, organizaram estoques adicionais de combustível nos aeroportos de origem e passaram a realizar escalas de reabastecimento. O objetivo é mitigar a pressão em um setor já pressionado pela alta do combustível.
Os preços do combustível de aviação acompanharam o movimento do petróleo, mas subiram mais que o dobro desde o início do conflito com o Irã. O recuo recente do petróleo pode influenciar o custo, mas não anula a dificuldade de normalizar o fornecimento.
Reação do mercado e perspectivas
As notícias sobre o Estreito de Ormuz impulsionaram as cotações de ações de companhias aéreas na Ásia e na Europa. Empresas como Qantas, Air New Zealand, Cathay Pacific e IndiGo registraram altas expressivas em setores representativos do mercado de capitais.
Na Europa, companhias como Wizz Air, Air France-KLM, Lufthansa, Finnair, IAG e Ryanair tiveram ganhos de 8% a 14% em sessão inicial, refletindo otimismo com a retomada de fluxos e com a possível normalização da oferta de combustíveis.
Capacidade de refino e cenários futuros
Especialistas destacam que a retomada do fluxo de petróleo cru facilita a produção de derivados, inclusive de combustível de aviação. A recuperação dependerá da adaptação de refinarias fora da região, com Índia e Nigéria entre os países apontados como potenciais aumentos de produção no interim.
Há expectativa de que a China e a Coreia do Sul retomem exportações de derivados assim que o fluxo de petróleo bruto for restabelecido. A combinação de demanda estável e maior disponibilidade de refino pode reduzir o spread entre custo de refino e preço do petróleo, ajudando o setor a ganhar fôlego, ainda que levando tempo.
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