- O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu investigação sobre empréstimos consignados e investimentos de mais de R$ 100 mi do Rioprevidência a instituições financeiras não credenciadas.
- O Grupo de Atuação Especializada enviou ao Rioprevidência um ofício, nesta terça-feira (7), solicitando estudos técnicos, atas de reuniões e procedimentos que embasaram as aplicações.
- Os aportes estão ligados aos fundos Linea Fundo de Investimento Financeiro Renda Fixa Prazo Longo, R CAP Soberano e R CAP Alocação, com investimentos realizados em 24 e 29 de dezembro de 2025.
- A apuração ocorre em parallelismo com investigação da Polícia Federal sobre cerca de R$ 970 milhões aplicados em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master; o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso.
- Em novembro de 2025, o Banco Central liquidou o Banco Master; o Rioprevidência afirmou que pagamentos a aposentados e pensionistas estavam preservados e pediu transparência sobre empréstimos consignados junto ao Credcesta.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) abriu uma investigação sobre empréstimos consignados e investimentos superiores a R$ 100 milhões realizados pelo Rioprevidência em instituições financeiras não credenciadas. O grupo responsável enviou um ofício ao fundo de previdência, solicitando documentos técnicos, atas de reuniões e os procedimentos que embasaram as aplicações.
O objetivo é esclarecer a origem dos recursos, formas de investimento e se houve falhas de gestão ou de controle interno. O ofício estabelece um prazo de cinco dias para que o Rioprevidência apresente os materiais solicitados e detalhe a atuação nos fundos Linea, R CAP Soberano e R CAP Alocação.
Acompanhamento da PF e avanço de apurações
Paralelamente, a Polícia Federal (PF) investiga a aplicação de cerca de R$ 970 milhões pertencentes ao Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Em uma etapa anterior, o ex-presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, foi preso durante operação envolvendo a gestão da instituição.
O Ministério Público aponta que as apurações envolvem fatores como fraudes em operações com o fundo de aposentadoria, gestão de recursos, indução ao erro e possíveis crimes contra o sistema financeiro. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
Situação atual e próximos passos
O Rioprevidência afirmou que o pagamento de aposentadorias está garantido, e que o montante investido é inferior ao valor total da folha de pagamento, que hoje fica em torno de R$ 1,9 bilhão. As investidas ocorreram entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034.
O MPRJ solicitou ainda esclarecimentos sobre empréstimos consignados realizados por servidores e pensionistas junto ao Credcesta, administrado pelo Banco Master, e se houve disponibilização de outros instrumentos de crédito ligados a garantias de estruturas financeiras do fundo. Em caso positivo, há a necessidade de interromper novos contratos para proteger o patrimônio dos segurados.
A reportagem manteve contato com o Rioprevidência para resposta, sem retorno até o momento.
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