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Na Vivara, discórdia envolve 1% da participação acionária

Plano de stock options que concede 1% a Paulo Kruglensky provoca reação de investidores e coloca em debate a governança da Vivara, com votação marcada para a AGE

Na Vivara, o 1% da discórdia
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  • A Vivara propõe um plano de stock options para Paulo Kruglensky, giving him 1% do capital ao final de três anos, com vesting de três anos e strike price estimado em cerca de R$ 25.
  • O strike price é calculado com base na média dos últimos sessenta pregões, com desconto de até 25%, e o benefício ocorre pela diferença entre o strike e o valor de mercado ao fim do período.
  • A crítica central é que o plano é exclusivo para um conselheiro não executivo e seria financiado pela emissão de novas ações, ou seja, pelos demais acionistas, sem impacto direto à família.
  • A proposta depende da aprovação na assembleia de acionistas marcada para o dia 27; investidores estrangeiros dominantes do free float já sinalizaram voto contra.
  • A família Kaufman detém 47,6% do capital; Marina Kaufman, chairwoman, controla cerca de 14%, enquanto Nelson está afastado do negócio por saúde; o tema acena para uma governança contestada.

Na Vivara, o pacote de remuneração proposto para Paulo Kruglensky, hoje vice chairman da companhia, tem gerado debates no mercado. O plano de stock options prevê 1% do capital ao final de três anos, sob um vesting de três anos, com strike price estimado em cerca de 25 reais.

Segundo a administração, a proposta busca alinhar Kruglensky aos interesses da empresa. A explicação oficial é que o objetivo é manter o executivo próximo ao longo do tempo, incentivando o compromisso com resultados e valorização das ações.

O valor de strike é definido como média ponderada dos últimos 60 pregões, com um desconto de até 25%. O benefício permitiria ao conselheiro comprar ações a esse preço, capturando ganhos com a valorização dos papéis até o término do período.

Críticas apontam que o plano é exclusivo para um conselheiro sem função executiva, financiado pela emissão de novas ações aos minoritários. A família Kaufman detém 47,6% do capital, com Marina Kaufman, presidente do conselho, mantendo cerca de 14% das ações; Nelson Kaufman é o fundador e permanece controlador em grande parte das ações.

Entre os antecedentes relevantes, Kruglensky vendeu uma participação de 4% na Vivara para Nelson em meados de 2024, a um desconto significativo, segundo relatos de gestores da época. A operação é citada na comparação com remunerações dadas a ex-CEOs da empresa.

A proposta está sujeita à aprovação da assembleia de acionistas, marcada para o dia 27. Investidores estrangeiros, que representam boa parte do free float, sinalizaram voto contrário ao plano. Não está claro se a família votará, devido a possíveis conflitos de interesse.

Alguns analistas avaliam que, se aprovada, a medida pode gerar uma governança complexa: o chair não receberia remuneração, o vice chairman receberia o pacote, e demais conselheiros independentes teriam remuneração abaixo da média de mercado. Outros veem o potencial de valor que Kruglensky pode trazer à empresa, desde que haja consenso entre partes envolvidas.

A Vivara passou por recentes mudanças de gestão, com o CEO Icaro Borello deixando o cargo após pouco mais de um ano, e o mercado acompanha o desdobramento de governança desde o retorno conturbado de Nelson Kaufman ao negócio. Uma fonte ligada à família afirmou que o pedido de maior alinhamento de Paulo com a companhia partiu do mercado.

A carta de apresentação do plano aponta que Paulo tem papel estratégico, com experiência de liderança e conhecimento profundo do setor. A expectativa é que o conselheiro contribua com decisões estratégicas para os próximos anos e com relação aos stakeholders da empresa.

A Vivara mantém valor de mercado próximo a 6,4 bilhões de reais na bolsa, com a ação registrando alta ao longo dos últimos 12 meses. O tema de governança permanece sob escrutínio de investidores e doesse de mercado, enquanto a empresa avança com seus planos estratégicos.

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