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Navios fantasmas movem mercado paralelo do petróleo, aponta estudo

Navios fantasmas mantêm o fluxo global de petróleo sob sanções, com frota estimada em 1,3 mil embarcações operando sem AIS e elevando riscos

Fotografia de um navio de petróleo.
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  • Navios chamados “fantasmas” ocultam identidade e rotas para transportar petróleo de países sob sanções, longe dos radares oficiais.
  • Estimativas indicam que até um em cada cinco petroleiros em operação no mundo integra essa rede, impulsionada pela guerra no Irã.
  • Eles desligam o AIS, trocam de nome e bandeira com frequência e, às vezes, operam com a identidade de embarcações já desmontadas, ficando conhecidos como “navios zumbis”.
  • Transferências em alto-mar, perto de Indonésia e Malásia, permitem driblar normas: o petróleo chega a países como China com documentação falsa.
  • A operação rende em torno de US$ 50 bilhões por ano; a crise também elevou receitas da Rússia, enquanto a frota fantasma já soma cerca de 1,3 mil embarcações.

Navios fantasmas: como funciona o mercado paralelo do petróleo

O comércio de petróleo envolve uma parcela significativa das operações realizadas fora dos radares oficiais. Surgem os chamados navios fantasmas, petroleiros que ocultam origem, destino e proprietários para transportar barris de países sancionados. A prática ganhou impulso com tensões internacionais recentes.

Estimativas de referência indicam que até 20% da frota mundial pode estar envolvida nesse circuito clandestino. Com o Irã sob sanções e a guerra na região, o fluxo de cargas ganhou novo fôlego para manter a oferta global de petróleo.

Como operam esses navios

Em eras anteriores, o rastreamento marítimo era quase contínuo via AIS, que divulga posição, velocidade e trajeto. Os navios fantasmas desativam o AIS ou “somem” do mapa, dificultando a identificação da origem da carga.

Além da desproteção regulatória, muitos são mais antigos e registram-se em países com fiscalização fraca. A propriedade é obscura e o seguro marítimo, quando existente, pode vir de empresas com pouca transparência.

Táticas comuns envolvem troca frequente de nome ou bandeira, às vezes várias alterações em um único mês. Em alguns casos, a identidade de barcos já desativados é usada para camuflar operações.

Condução de cargas de modo oculto

Entre as táticas, há navios que assumem a matrícula de embarcações extintas, tornando-se conhecidos como navios zumbis. A idade elevada das embarcações facilita a fraude de documentação e o uso de regimes de registro menos rigorosos.

Outra prática ocorre em alto-mar: um petroleiro cruza com petróleo para outra embarcação em área remota, que segue viagem com documentação diferente, dificultando o rastreamento da origem real.

Regiões do Sudeste Asiático tornaram-se pontos recorrentes para esse tipo de operação, com a carga transferida para um segundo navio que prossegue ao destino final, apresentando origem não sancionada.

Origem, expansão e ganhos

O uso dessas técnicas cresceu a partir da década de 2010, com Irã e Venezuela adotando métodos para driblar sanções. A rede se ampliou após 2022, quando sanções à Rússia exigiram novas rotas de venda.

Países sancionados costumam oferecer grandes descontos para atrair compradores dispostos a assumir riscos. O petróleo continua circulando mesmo com restrições internacionais.

Estima-se que a frota fantasma opere com cerca de 1,3 mil embarcações, em uma operação que às vezes nem aparece nas estatísticas oficiais, segundo a Windward.

Impactos na geopolítica do petróleo

O Estreito de Ormuz, ligação entre Golfo Pérsico e oceano Índico, é uma rota estratégica que movimenta cerca de 20% do petróleo global. Riscos de ataques elevam custos de seguro e dificultam a navegação convencional.

Com a guerra no Irã, as sanções ultrarrigorosas estagnaram fluxos oficiais, abrindo espaço para que navios não regulamentados mantenham o abastecimento. Em contrapartida, autoridades ocidentais perseguem operações irregulares.

Aprovação temporária de medidas

Os EUA flexibilizaram, de modo temporário, algumas sanções para evitar pressões adicionais sobre os preços. Foi liberado o movimento de petróleo iraniano armazenado em navios, sob condições específicas.

Essa mudança cria oportunidade para operadores clandestinos ampliarem a atuação. O Irã entende o comércio paralelo como meio de sustentar receitas, especialmente diante das restrições.

Perspectivas de mercado e limitações

Analistas divergem sobre a possibilidade de erradicar a prática. A rede tornou-se uma presença estrutural do mercado, segundo especialistas, que ressaltam a necessidade de coordenação regulatória internacional para reduzir riscos.

Enquanto houver demanda por barris transportados por canais não regulamentados, operadores enxergam espaço para continuar atuando, mesmo diante de interceptações e apreensões no mar.

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