- O Banco Central mantém sigilo de oito anos sobre documentos da liquidação do Banco Master, regra interna em vigor desde 2018.
- A decisão, tomada em novembro do ano passado, não é excepcional e segue a norma que estabelece dez anos para bancos maiores e oito para bancos menores.
- Galípolo disse que 16 resoluções de intervenção desde 2018 seguiram essa regra, visando evitar questionamentos legais e recursos judiciais.
- A padronização pretende evitar indenizações bilionárias de acionistas de instituições liquidadas, conforme citou o presidente do BC.
- O BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025; à época, o banco tinha apenas cerca de 10% do caixa necessário para pagar os CDBs que venceriam.
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que o sigilo de oito anos imposto aos documentos relativos à liquidação do Banco Master não foi uma medida excepcional. A declaração ocorreu em depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado, nesta quarta-feira 8.
A norma interna, em vigor desde 2018, distingue bancos por porte: antes, todos tinham 10 anos; agora, bancos maiores mantêm 10, enquanto bancos menores ficam com oito. Galípolo explicou que a decisão de não tornar públicos determinados motivos da liquidação se aproxima de resoluções adotadas em intervenções recentes no setor.
A padronização busca evitar questionamentos legais sobre a legalidade das liquidações e ações de indenização envolvendo o BC e o FGC. Segundo o presidente, processos anteriores somam bilhões de reais em potenciais indenizações questionadas por acionistas de instituições liquidadas.
Sigilo de oito anos: norma vigente
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. O banco era controlado pelo empresário Daniel Vorcaro e cresceu oferecendo CDBs com rentabilidade acima da média, para sustentar o modelo de atuação.
Investigações indicam que o Master assumia riscos elevados e inflava artificialmente o balanço, enquanto a liquidez disponível para ressarcimento dos investidores deteriorava-se, prejudicando a capacidade de cumprir vencimentos.
De acordo com Galípolo, no dia do decreto, o banco possuía apenas 10% do caixa necessário para honrar os CDBs que venciam na mesma data. Ao assumir a presidência do BC em janeiro de 2025, ele afirmou que o Master já enfrentava problemas de liquidez e dificuldade de captar recursos com garantia do FGC.
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