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Riachuelo: megafábrica em Natal vira pilar para recuperação de margens

Fábrica de Natal sustenta a estratégia de verticalização da Riachuelo, respondendo por quarenta por cento da produção e elevando margens pela eficiência da cadeia

Fábrica da Guararapes, em Natal: unidade passou a ser vista como um pilar relevante de eficiência. (Foto: Divulgação/ Riachuelo)
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  • A fábrica da Guararapes em Natal virou pilar da estratégia da Riachuelo, ajudando a melhorar margens e lucro da varejista.
  • A mudança começou com a chegada do CEO André Farber, em maio de 2023, e envolveu redesenho do negócio, redução de estoques, reorganização da cadeia produtiva e venda de ativos, incluindo o Midway Mall por R$ 1,6 bilhão.
  • A unidade natalense responde por cerca de 40% dos produtos vendidos pela Riachuelo e por metade das peças nas categorias feminino, masculino e infantil.
  • A produção doméstica, em parceria com oficinas, corresponde a 69% do total, forneceu cerca de 37 milhões de peças em 2025, e 72% tiveram algodão como principal matéria-prima.
  • A estratégia inclui maior integração entre fábrica e lojas, uso de dados para precificação e estamparia digital, mas a dependência de importações em alfaiataria e tecidos sintéticos persiste e preocupa investidores.

A fábrica da Guararapes em Natal passou de entrave para pilar estratégico da Riachuelo. A mudança ocorre com a chegada do CEO André Farber em 2023 e um redesenho que reduziu estoques, reorganizou a cadeia produtiva e revisou o portfólio, incluindo a venda de ativos.

A virada também envolveu o fortalecimento da área de supply chain, relançamento de marcas próprias como Pool e ampliação da capacidade fabril. Em dezembro, a venda do Midway Mall por 1,6 bilhão de reais consolidou a estratégia de foco no core.

O lucro líquido de 2025 somou 512 milhões de reais, ante prejuízo de 34 milhões em 2023. O EBITDA subiu 19,3% para 482 milhões, com expansão de cartões e empréstimos na carteira financeira.

A produção nacional ganhou peso: a operação doméstica atingiu 69% do total e a fábrica de Natal responde por cerca de 40% dos produtos vendidos, incluindo metade das peças femininas, masculinas e infantis.

Ao longo de 2025, a planta forneceu cerca de 37 milhões de peças para as lojas, com 72% do algodão como matéria-prima dominante. A produção é apoiada por oficinas terceirizadas e fornecedores locais.

Centro da operação

Cerca de 5.100 profissionais atuam na linha de produção, com salários de 1.8 mil a 2.6 mil reais para uma jornada de 44 horas. A capacidade é de 110 mil peças diárias, com produção total de 120 mil peças por dia quando somadas as oficinas.

A integração fábrica-ponta facilita ajustes de coleção, testes de produtos e resposta rápida às tendências. O foco está na estamparia digital, redução de água e melhoria de eficiência na cadeia.

A planta é eixo da estratégia de sustentabilidade do grupo, segundo Taciana Abreu, diretora de Sustentabilidade. A verticalização permite ganhos operacionais e ambientais difíceis de capturar em cadeias terceirizadas.

A transformação envolve venda de ativos, mudanças culturais e redirecionamento estratégico para 70 anos de atuação. A empresa mantém importações em alfaiataria e tecidos sintéticos onde a China tem vantagem.

Do fundador à cultura da empresa

A unidade preserva traços do fundador Nevaldo Rocha, com ambiente de trabalho mais confortável para costureiras. Faixas com frases motivacionais ficam expostas na fábrica, marcando a relação com a história da marca.

Rocha criou a Guararapes, priorizando produção local e verticalização. Ele faleceu em 2020; o filho Flávio Rocha assumiu a condução, hoje presidindo o conselho, enquanto Farber comanda a gestão desde 2023.

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