- O crescimento da massa salarial não se traduz em maior consumo devido ao alto endividamento das famílias.
- Em endividamento baixo, cada 1 ponto de alta da massa salarial aumenta o consumo em 0,29 ponto; com endividamento alto, esse ganho cai a 0,17 ponto, quase 40% a menos.
- A linha de corte ocorre quando a dívida relativa à renda ultrapassa 39,6%; acima disso, o efeito da renda sobre o consumo diminui.
- O endividamento das famílias subiu de 17% da renda em 2005 para quase 50% em 2025, enquanto a massa salarial alcançou recordes no período.
- O crédito tem maior peso conforme o endividamento aumenta, ajudando o consumo durante a pandemia, mas perdeu relevância a partir de 2023, com a desaceleração de concessões.
O estudo do Daycoval analisa como o endividamento das famílias influencia o efeito da massa salarial no consumo. O objetivo é entender por que, mesmo com renda em alta, o consumo não acompanha o ritmo.
Quando o endividamento é baixo, cada 1 ponto de alta da massa salarial eleva o consumo em 0,29 ponto. Em cenários de alto endividamento, esse efeito cai para 0,17 ponto, uma retração de quase 40%. A linha de corte fica em 39,6% da relação dívida/renda.
O levantamento mostra que o endividamento das famílias subiu de 17% da renda em 2005 para quase 50% em 2025, enquanto a massa salarial atingiu níveis recordes. O crédito passa a ter papel variável conforme esse patamar.
Papel do crédito
Em menor endividamento, o crédito tem influência limitada e o consumo responde principalmente à renda. Quando as dívidas estão mais altas, o crédito chama a atenção e contribui com cerca de 0,10 ponto percentual ao consumo, ajudando a manter o gasto.
Os autores simulam o comportamento durante a pandemia (2020-2022). Mesmo com alto endividamento, o crédito sustentou o consumo naquele período, mantendo a atividade econômica.
A partir de 2023, com a desaceleração das concessões de crédito, o consumo passa a crescer 3 pontos percentuais a menos por ano do que ocorreria sem o endividamento acima de 39,6%. Em 2025, a perda acumulada chega a 3,6 p.p.
Perspectiva para 2026
Com o endividamento acima do patamar crítico, o efeito da massa salarial sobre o consumo permanece reduzido em 2026. A dinâmica passa a depender mais da redução dos débitos das famílias para sustentar o consumo.
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