- O Brasil importou diesel 20% menos em março de 2026 ante março de 2025, segundo o MDIC.
- O gasto total com diesel aumentou 2% no mês, com preço médio de US$ 0,83 por quilograma, alta de 28% versus março de 2025.
- O preço do diesel nas refinarias da Petrobras subiu 11,6% em 13 de março, mas o reajuste não repôs totalmente a defasagem em relação ao diesel importado.
- A Abicom disse que houve maior risco nas importações entre o início do conflito e o reajuste da Petrobras, com muitos acordos travados em março.
- O governo criou subsídio ao diesel importado: inicialmente R$ 0,32 por litro (MP 1.340/2026) e, posteriormente, R$ 1,20 por litro adicionais (R$ 0,60 pela União e R$ 0,60 pelos estados), válido até 31 de maio, com possibilidade de prorrogação; custo estimado de R$ 4 bilhões.
O Brasil importou 20% menos diesel em março de 2026 em comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados do MDIC. A queda reflete a reação dos importadores diante da alta do preço global do combustível, que não foi repassada na mesma proporção pela Petrobras no diesel vendido em refinarias no país.
Mesmo com a redução do volume, o gasto total com diesel importado subiu 2% em março. O preço médio foi de US$ 0,83 por quilograma, avanço de 28% frente a março de 2025, quando ficou em US$ 0,65.
O preço do diesel acompanha a alta do petróleo Brent, impulsionada pelo conflito envolvendo EUA, Israel e Irã e por riscos ao abastecimento global. Em fevereiro o preço ficava próximo de US$ 70; em março chegou a US$ 119,50 e, no dia 27, ainda superava US$ 100.
A Petrobras reajustou o preço do diesel em 11,6% nas refinarias em 13 de março, porém o reajuste não eliminou a defasagem em relação ao diesel importado, o que contribuiu para o recuo nas aquisições externas.
Para Sérgio Araújo, presidente-executivo da Abicom, o quadro elevou o risco das importações entre o início do conflito, em 28 de fevereiro, e o reajuste da Petrobras. Muitos acordos ficaram travados no começo de março.
A Abicom aponta que o diesel vendido pelas refinarias da Petrobras ficou 23% abaixo da paridade internacional em 2 de março e 62% abaixo ao fim do mês, desde maio de 2023, quando a estatal deixou de seguir automaticamente as cotações internacionais e o câmbio.
Apesar da queda nas importações, não houve desabastecimento no mercado interno, segundo Araújo.
Governo amplia subsídios ao diesel importado
Para conter a alta de preços, o governo anunciou subsídios ao diesel importado. Em 12 de março, foi publicada a MP nº 1.340, prevendo subsídio inicial de R$ 0,32 por litro.
A MP de 7 de abril ampliou o valor com uma subvenção adicional de R$ 1,20 por litro, sendo R$ 0,60 pagos pela União e R$ 0,60 por Estados aderentes. Apenas dois estados não aderiram ao modelo.
As medidas entraram em vigor imediatamente e valem até 31 de maio, com possibilidade de prorrogação por mais dois meses. O custo estimado é de R$ 4 bilhões, dividido entre União e Estados.
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