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Conflito no Irã pode aumentar inflação no Brasil para 7,6%, diz Fiemg

Inflação brasileira pode chegar a 7,66% por choque de custos com energia e insumos, agravado pela escalada de preços do petróleo e risco no estreito de Ormuz

Estudo indica que, apesar da forte pressão inflacionária, o impacto negativo sobre o PIB tende a ser limitado; na imagem, notas de real
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  • O conflito no Oriente Médio pode levar a inflação no Brasil a 7,66%, conforme estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
  • O estreito de Ormuz, por onde passam cerca de vinte por cento do petróleo mundial, continua central na expectativa de interrupções; o Brent indicou alta recente, fechando a sessão em 9 de abril de 2026 em US$ 96,18, após ter chegado a US$ 119,24 em 31 de março de 2026.
  • Simulações indicam queda do Produto Interno Bruto brasileiro entre -0,04% e -0,12%, mesmo com pressão inflacionária elevada.
  • O aumento de custos recairá sobre insumos como gás natural, eletricidade e trigo, podendo elevar preços ao consumidor e compressão na atividade produtiva.
  • O Brasil, como exportador líquido de petróleo, pode sentir efeito compensatório com entrada de dólares e valorização do real; o estudo também aponta alta de fertilizantes, com ureia subindo de US$ 484 para US$ 665.

O conflito no Oriente Médio escalou com confrontos entre Israel e Irã e envolvimento indireto dos Estados Unidos, elevando o risco de interrupção no fluxo de petróleo. No Brasil, a projeção é de inflação de 2,29% para 7,66% conforme estudo da Gerência de Economia da Fiemg, divulgado nesta semana. O cenário é acompanhado com atenção ao estreito de Ormuz, passagem de cerca de 20% do petróleo mundial.

O preço do barril Brent subiu significativamente desde o fim de 2025, quando era US$ 60,85, chegando a US$ 119,24 em 31 de março de 2026. Em 9 de abril de 2026, encerrou o dia em US$ 96,18, após uma trégua entre Irã e EUA ser anunciada, ainda considerada frágil. O mercado reage a riscos de bloqueio e a dúvidas sobre a normalização de fornecimentos.

Impactos e projeções

As simulações GTAP indicam que o efeito inflacionário pode ser maior que o impacto sobre o PIB, que deve ficar entre -0,04% e -0,12%. O encarecimento de insumos como gás natural, eletricidade e trigo tende a se espalhar pela cadeia produtiva, elevando custos e preços ao consumidor.

Falhas, resiliência e aportes estratégicos

A explicação para a dissociação entre inflação alta e queda modesta do crescimento envolve o que a Fiemg classifica como choque de custos. Três fatores ajudam na resiliência: eficiência energética reduz a dependência do petróleo; logística mais flexível permite mudanças rápidas de fornecedores; e o Brasil, como exportador líquido de petróleo, pode auferir receitas adicionais em dólar e melhorar a cotação do real.

Efeitos específicos na agricultura e fertilizantes

O conflito afeta também a produção de alimentos. A região representa cerca de 20% das exportações globais de fertilizantes nitrogenados, essenciais para a produção mundial. O preço da ureia granular subiu de US$ 484 para US$ 665 desde o início dos ataques. O enxofre, utilizado na indústria química e metalúrgica, também corre risco pela mesma região, que concentra cerca de 1/5 da oferta global.

A leitura dos analistas aponta que o mix atual deve manter a inflação como principal canal de impacto, com menor efeito direto sobre a atividade econômica brasileira apesar do aperto de custos. As informações são baseadas em fontes da Fiemg e estimativas de mercado, sem forecast definitivo.

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