- Em 2025, o mercado de capitais brasileiro teve emissões públicas de R$ 838,8 bilhões, com os FIDC respondendo por R$ 90,8 bilhões, alta de 9,5% em relação a 2024.
- No primeiro trimestre de 2026, os FIDC mantiveram o desempenho, com captação líquida de R$ 221 milhões apenas em fevereiro.
- O crescimento é atribuído à desbancarização, ao amadurecimento regulatório e à rentabilidade tipo CDI plus, que atrai investidores.
- Os FIDC são condomínios de investimento que destinam ao menos cinquenta por cento de seu patrimônio a direitos creditórios; interlocutores institucionais buscam estruturas FIC-FIDC e cotas seniores, enquanto pessoas físicas veem potencial de renda e investem via fundos que investem em FIDCs.
- A inadimplência continua moderada: atrasos até quinze dias variam entre 7,5% e 9% do patrimônio, e inadimplência acima de noventa dias fica entre 3,5% e 5%, segundo a Austin Rating.
Em 2025, o mercado de capitais brasileiro mostrou sinais fortes de robustez, com emissões públicas totalizando 838,8 bilhões de reais, conforme a Anbima. Os FIDCs tiveram a maior captação entre securitização, com 90,8 bilhões de reais, alta de 9,5% ante 2024.
No primeiro trimestre de 2026, os FIDCs continuam em destaque, ampliando seu papel na carteira de investidores. Em fevereiro, a captação líquida chegou a 221 milhões de reais, enquanto outras classes de ativos estruturados enfrentaram maior volatilidade.
Panorama atual
Analistas apontam dois motores para o crescimento: desbancarização e amadurecimento regulatório. A rentabilidade CDI+ 2% a CDI+5% também atrai investidores em busca de retorno estável.
O FIDC funciona como um condomínio que aplica mais de metade de seu patrimônio em direitos creditórios, como duplicatas, cheques e parcelas de cartão. Empresas originadoras vendem recebíveis com desconto, gerando ganho ao fundo e rendimento ao investidor.
Estrutura de atuação
Institucionais e pessoas jurídicas lideram a procura por estruturas de FIC-FIDC ou cotas seniores. Para as originadoras, o fundo oferece liquidez e governança, com taxas variando conforme o risco e lastro.
Para quem investe como pessoa física, o FIDC funciona como complemento de renda fixa, ocupando até 30% da carteira, segundo especialistas. A Resolução 175 da CVM abriu portas para varejo, aumentando a responsabilidade dos gestores.
Governança e classes de cotas
A diferença entre investidores reside na Cota Subordinada: credora comum tem prioridade, enquanto quem detém a subordinada quase sempre assume primeiras perdas, em troca de maior potencial de rentabilidade.
Profissionais costumam deter a cota subordinada, o que absorve perdas iniciais, permitindo que o restante do fundo tenha segurança maior de rentabilidade. Dados recentes destacam a diversificação como proteção.
Riscos e qualidade de crédito
A inadimplência é tema crítico, dado o crescimento do setor. Estudos da Austin Rating, com 103 FIDCs entre 2025 e início de 2026, indicam níveis moderados de atraso. Atrasos de até 15 dias variaram entre 7,5% e 9%.
A inadimplência superior a 90 dias ficou entre 3,5% e 5%. O relatório aponta que o crescimento do patrimônio líquido não ocorreu à custa de aumento do risco.
Impacto da variação da Selic
A queda da Selic não assusta os FIDCs. O setor vê a redução como sinal de maturidade, contribuindo para menor custo de capital, manutenção do spread e fidelização de correspondentes.
Pesquisas de mercado indicam que, com juros menores, há maior competitividade em operações de longo prazo, com garantias reais, mantendo a relevância dos FIDCs no mercado de capitais.
Entre na conversa da comunidade