- Governo avalia elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32% no primeiro semestre de 2026, partindo de 30% hoje.
- A mudança busca reduzir custos para consumidores diante de preços mais altos e estimular a demanda nas usinas de cana-de-açúcar.
- A decisão ocorre em meio à inflação, eleições e volatilidade dos preços de petróleo, que afetam o setor de combustíveis.
- A Raízen, maior produtora de etanol do país, enfrenta crise de endividamento, enquanto o setor encara concorrência de usinas que utilizam milho.
- Analistas estimam aumento na demanda de etanol em cerca de 800 milhões de litros neste ano, com a região Centro-Sul esperando produzir até 37 bilhões de litros na safra.
O governo brasileiro estuda elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%. A medida, que pode entrar em vigor no primeiro semestre de 2026, visa reduzir o peso dos combustíveis fósseis diante da alta de preços no mercado internacional. A decisão ocorre em meio a pressões da indústria e da inflação.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a elevação seria rápida e acompanha a evolução dos preços globais do petróleo. A proposta surge em um momento de demanda aquecida por etanol, em parte causada pela recente volatilidade do petróleo e pela pressão inflacionária no Brasil.
A indústria de etanol encara desafios. A Raízen, maior produtora do segmento no país, enfrenta uma crise de endividamento, enquanto o setor busca manter margens diante da concorrência com o milho e de novas usinas. A medida pode acelerar a recuperação de demanda.
Analistas avaliam impactos possíveis. Martinho Ono, da SCA Brasil, diz que o aumento pode reduzir custos para consumidores e puxar demanda de usinas. Estima-se incremento de até 800 milhões de litros na demanda neste ano, com efeitos sobre estoques e preços.
Especialistas apontam ainda que a oferta de cana e milho deve sustentar o cumprimento do novo mandato. Ana Zancaner, Czarnikow Group, reforça o papel da disponibilidade de matéria-prima para destinar etanol ou açúcar conforme o mercado.
A análise de mercado indica que a safra permite ampliar a oferta no curto prazo. Willian Hernandes, FG/A, afirma que os preços do etanol continuam acima do desejado para cobrir custos de produção, mas o cenário é favorável à mudança de mix.
A projeção da região Centro-Sul aponta aumento da oferta de etanol para a safra atual, com estimativas de até 37 bilhões de litros, ante 33 bilhões no ano passado, segundo a StoneX. A indústria acompanha a evolução de perto.
O governo acompanha ainda o impacto sobre o custo de frete e combustível, com a Petrobras mantendo estáveis os preços da gasolina para distribuidores desde o início do conflito no Irã. O mercado acompanha de perto as decisões de política pública.
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