- O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio imediato aos mercados, com o petróleo abaixo de 100 dólares por barril e o diesel em queda, enquanto o real ganhou força e a bolsa brasileira subiu.
- No Brasil, a queda das cotações internacionais reduziu o custo do diesel importado em quase 0,90 real por litro, mas o preço interno permanece cerca de 2,30 reais acima da referência da Petrobras.
- Governo publicou medida provisória com subsídios ao diesel e ao gás de cozinha e linhas de crédito para o setor de aviação, além de ajustes tributários, sinalizando apoio de curto prazo aos combustíveis.
- O mercado aponta que o efeito não é apenas pelo volume de petróleo, mas pela mudança na qualidade disponível: cerca de 8 milhões de barris por dia de petróleo tipo medium-sour ficaram fora do mercado asiático, pressionando a oferta de destilados, como diesel e querosene.
- A reabertura do Estreito de Ormuz não deve reverter rapidamente a algum dano à capacidade de produção no Golfo, mantendo a produção de destilados abaixo do níveis anteriores e impactando preços de derivados mesmo com o fluxo retomado.
- A bolsa brasileira avançou mais de dois por cento, o dólar recuou e o real se fortaleceu, em reação generalizada dos mercados ao menor risco geopolítico.
- No longo prazo, a demanda por fertilizantes pode sofrer atrasos de entregas durante o conflito, o que pode pressionar preços de alimentos nos próximos dois a quatro meses, contribuindo para pressão inflacionária.
O cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio inmediato aos mercados, mas gerou incertezas sobre o que vem pela frente. Em poucas horas, o petróleo ficou abaixo de 100 dólares por barril, o diesel caiu e moedas emergentes, como o real, ganharam fôlego. No Brasil, os efeitos começaram a aparecer rapidamente, porém podem não durar.
A queda de preços internacionais reduz o custo do diesel importado e abre espaço para recuos internos nos próximos dias. Segundo Bruno Cordeiro, da StoneX, houve recuo de quase 0,90 real por litro no combustível importado, embora o valor esteja cerca de 2,30 reais acima da referência doméstica.
Mesmo com a defasagem, há perspectiva de alívio no curto prazo, com queda de preços no mercado externo e subvenções anunciadas pelo governo. No dia 6, o governo divulgou medida provisória com subsídios a diesel e gás de cozinha, além de crédito para o setor aéreo.
Alívio imediato, mas com limites
A queda reflete a retirada parcial do prêmio de risco geopolítico. A sinalização de reabertura do Estreito de Ormuz, rota que responde por cerca de 20% do petróleo global, alterou rapidamente as expectativas de oferta.
Entretanto, analistas destacam que o problema não é apenas o volume, mas a qualidade da oferta. Um relatório da Vortexa revelou que, mesmo com a reabertura, o mercado sofreu com a retirada de cerca de 8 milhões de barris por dia de petróleo do tipo medium-sour, essencial para diesel e querosene de aviação.
O relatório aponta que danos à capacidade produtiva da região devem demorar a ser reparados, mesmo com o retorno do tráfego. A mudança de qualidade afeta o mix de derivados: o petróleo do Oriente Médio gera boa parte dos destilados médios, enquanto o petróleo leve domina o processamento de refinarias asiáticas.
Como consequência, a produção de destilados médios tende a permanecer baixa, enquanto a oferta de produtos leves aumenta. Na prática, as margens de diesel e querosene na Ásia subiram, enquanto as de nafta e gasolina se mantiveram estáveis.
Mercado global e impactos no Brasil
Mesmo com a reabertura, o mundo pode produzir menos diesel do que antes da crise, limitando quedas de preços. No cenário brasileiro, a reação é de melhora imediata nos combustíveis, com o dólar enfraquecido e o Ibovespa em alta.
Danilo Coelho, economista, aponta que o mercado recebeu positivamente o anúncio do cessar-fogo, reduzindo a volatilidade. O Ibovespa registrou alta superior a 2%, com ganhos para setores e petroleiras beneficiadas por expectativas de preços mais estáveis.
Desdobramentos no curto prazo
No Brasil, efeitos sobre o IPCA devem ocorrer com atraso. Durante o auge do conflito, houve interrupções no transporte de fertilizantes, o que pode atrapalhar o ritmo de plantio e colheita, elevando, em alguns meses, a pressão sobre preços de alimentos.
Segundo Coelho, o impacto inflacionário tende a ocorrer de dois a quatro meses após, com reajustes no índice de preços ao consumidor. O cenário técnico aponta para ajustes graduais, sem mudanças abruptas na política econômica.
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