- Os adiamentos da publicação do balanço da Aegea Saneamento levaram ao rebaixamento de sua nota de crédito por agências de rating e aumentaram a pressão no mercado.
- A auditoria, conduzida pela KPMG, reabriu balanços desde 2020 após mudanças de interpretação contábil, com impacto esperado na casa dos bilhões, sem efeito caixa.
- A companhia mantém posição financeira sólida, com mais de R$ 5 bilhões em caixa, e diz não haver vencimentos relevantes no curto prazo.
- A S&P avisou que a Aegea tem até hoje, dez, para publicar os balanços, sob pena de default em algumas debêntures e possível cross-default nos bonds no exterior; as debêntures envolvem cerca de 500 a 700 milhões de reais.
- Equipe contábil trabalha com a KPMG para finalizar os balanços ainda hoje; o sócio responsável pela auditoria foi substituído após a emissão do último bond, em setembro.
Aegea Saneamento está sob pressão no mercado após adiar repetidamente a publicação de seu balanço do quarto trimestre. A empresa enfrenta rebaixamento de crédito e especulações sobre impactos contábeis, enquanto avalia movimentos estratégicos, como um IPO e a possível privatização da Copasa.
Quem está envolvido inclui a Aegea, controlada pelo grupo Equipav, com o GIC detendo 34% do capital e a Itaúsa com 13%. A auditoria está a cargo da KPMG, que revisa itens contábeis desde 2022 e passou a redefinir parâmetros de reconhecimento de receita, provisões e juros de outorga.
Os atrasos vieram à tona quando fontes disseram ao Brazil Journal que a KPMG reverteu interpretações sobre a Demonstração do Resultado, levando à reabertura dos balanços desde 2020. O efeito seria contábil, sem impacto de caixa, segundo as mesmas informações.
Atenção adicional se deve ao fato de a empresa manter posição financeira sólida, com caixa superior a R$ 5 bilhões na holding e vencimentos de curto prazo em patamar baixo. Ainda assim, as incertezas sobre o balanço derrubaram a nota de crédito para patamar especulativo e mantêm a Aegea em observação para novos rebaixamentos.
A S&P informou que a empresa tem até hoje, 10, para publicar os balanços, sob pena de default em debêntures, o que pode acionar cláusulas de cross-default nos bonds no exterior. A agência ressaltou que a falta de balanços aumenta riscos para credores e investidores.
Para contornar o impasse, uma equipe de contabilidade da Aegea trabalha com a KPMG para concluir os balanços ainda hoje. Ação que pode evitar oficialmente o default e reduzir impactos no mercado de crédito.
As debêntures com vencimento em 2036, as mais líquidas, operavam próximo de 70% do valor de face; no fim de março estavam em 92%. Títulos de 2029 e 2031 também operavam em torno de 80% do valor de face, refletindo a tensão de crédito.
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