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Economista aponta impacto de choque de oferta nos preços

Choque de oferta eleva petróleo e alimentos, mas cenário permite cortes do Banco Central com cautela, enquanto o câmbio mitiga impactos

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  • Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, diz que choque de oferta eleva preços de petróleo e alimentos, mas não deve alterar a trajetória de cortes da juros pelo BC.
  • Novos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos permitem medir, pela primeira vez, os efeitos da guerra no Oriente Médio nesses indicadores.
  • O petróleo fechou a semana próximo de US$ 95 e pode subir se o conflito durar mais, aumentando a incerteza observado pelo mercado.
  • A alta de alimentação e energia não deve preocupar tanto o Copom, que analisa itens mais sensíveis à política monetária.
  • Ainda há espaço para novos cortes de juros, com ritmo de 0,25 ponto percentual, e o câmbio tem papel positivo para emergentes ao conter impactos do choque do petróleo; o carry trade mantém espaço entre juros brasileiros e norte-americanos.

A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, afirma que há sinais de choque de oferta refletidos em alguns preços devido à guerra no Oriente Médio. Ela aponta que, apesar disso, a inflação tende a ser transitória e não deve alterar a rota de cortes da taxa básica de juros pelo Banco Central.

Segundo Vitória, o cenário atual apresenta demanda desaquecida no Brasil e juros já em patamar restritivo. Esses fatores ajudam a evitar que o aumento de preços contamine a economia como um todo.

O petróleo encerrou a semana próximo de US$ 95 o barril, mantendo incertezas sobre a duração do conflito e seus efeitos na oferta global. Caso o conflito se prolongue, os preços do petróleo podem subir ainda mais, segundo a economista.

Inflação de alimentos e câmbio

A inflação de março, medida pelo IPCA, mostrou alta de 1,31% em alimentação fora ou em domicílio, conforme dados oficiais. Apesar disso, o Copom tende a considerar com menor peso itens de energia e alimentação ao avaliar a política monetária.

Vitória destaca ainda o papel do câmbio, que tem ajudado o Brasil a conter parte do impacto do choque de petróleo. O real tem contribuído para reduzir pressões inflacionárias oriundas de commodities.

Sobre a trajetória da Selic, a economista entende haver espaço para novas reduções, mantendo o tom cauteloso de 0,25 ponto percentual na última reunião. Mesmo com cortes, o diferencial de juros frente aos EUA permanece relevante para fluxos de capitais.

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