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Oncoclínicas mantém incerteza sobre continuidade operacional com credores

Oncoclínicas confirma incerteza relevante sobre continuidade operacional, enquanto negocia waiver de covenants e encara risco de vencimento da dívida

Sem acordo com credores, Oncoclínicas admite "incerteza relevante" sobre continuidade operacional
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  • Oncoclínicas fechou balanço com alavancagem em 3,5 vezes (dívida líquida sobre EBITDA), chegando a 4,3 vezes quando sujeitos ajustes; risco de incumprimento de covenants preocupa o mercado.
  • Empresa busca um waiver para as covenants, mas assembleia de debenturistas ficou sem quórum, adiando a deliberação e mantendo negociações com credores em aberto.
  • Liquidez ficou pressionada por perdas operacionais e eventos não recorrentes, como inadimplência da Unimed FERJ (cerca de R$ 800 milhões) e recuperação de caixa com recursos de letras financeiras do Banco Master (aproximadamente R$ 430 milhões).
  • Em balanço, a empresa aponta incerta continuidade operacional, dependente de obter waiver e de captar novos recursos; Deloitte destacou os riscos no parecer.
  • Racha no controle: Mak Capital pressiona por destituição do conselho, enquanto Porto Seguro negocia venda de operações; assembleia de acionistas marcada para 30 de abril para discutir mudança no steering e possível entrada de novos integrantes independentes.

O Oncoclínicas informou aos investidores que não houve acordo com credores para obter um waiver e que persiste uma incerteza relevante sobre a continuidade operacional. A empresa admite risco de descontinuidade caso as negociações não avancem.

No balanço anual divulgado na noite de 9 de abril, a relação dívida líquida sobre EBITDA subiu de 2,6 para 3,5 vezes, aproximando-se dos covenants. Com ajustes, o indicador chega a 4,3 vezes, elevando a pressão sobre a liquidez.

A diretoria destacou que não houve vencimento antecipado formal até o momento, mas que a assembleia de debenturistas não atingiu quórum para deliberar o pedido de waiver. As negociações com credores seguem em aberto.

Situação financeira e dificuldades

O CEO Carlos Gil informou que avanços existem com grandes credores, mas há dificuldades com dívidas pulverizadas, como CRIs e algumas debêntures. Desembolsos não autorizados levam a reclassificação de dívida para curto prazo.

O balanço aponta R$ 3,23 bilhões de dívida total, dos quais R$ 2,9 bilhões estão ligados a quebra de covenants. Desses, R$ 1,88 bilhão ainda não recebeu waivers. A empresa tinha aproximadamente R$ 520 milhões em caixa no início do ano.

A Deloitte descreveu risco relevante à continuidade, enfatizando que a capacidade de manter operações depende do sucesso das negociações e de novas captações. O parecer reforçou o alerta, sem indicar dívidas vencidas.

Eventos que impactaram o caixa

Dois acontecimentos extraordinários reduziram o caixa em mais de R$ 1,2 bilhão: inadimplência da Unimed FERJ, que deixou de pagar cerca de R$ 800 milhões, e a perda de cerca de R$ 430 milhões em recursos de letras financeiras do Banco Master.

O Master chegou a deter 20% da Oncoclínicas no ano passado. A garantia de devolução de ações ficou em litígio após a liquidação do banco e a transferência das ações para o BRB, gerando disputa judicial.

O executivo aponta que a combinação de menor receita, custo fixo não diluído e eventos adversos agravou a liquidez. Mesmo assim, houve ampliação de capital de R$ 1,4 bilhão em novembro, reduzindo a dívida líquida de R$ 4,1 bilhões para R$ 2,9 bilhões.

Racha no Conselho e propostas de reestruturação

A empresa enfrenta atritos com acionistas diante da renegociação com credores. A Mak Capital, com cerca de 6,3% do capital, classificou a busca por waivers como complexa e com efeitos limitados, citando pulverização das dívidas.

A discórdia ganhou contorno com a proposta da Porto Seguro para venda de operações. Conselheiros divergentes criticaram a condução do processo e a exclusividade dada à Porto, sugerindo impacto na negociação com credores.

A administração confirmou planos de criação de nova entidade controlada pela Porto, com a Oncoclínicas remanescente mantendo participação econômica, porém menor poder na gestão. A CFO Camille Faria deixou o posto.

Próximos passos e agenda

A Mak Capital propôs aporte de R$ 500 milhões condicionado à destituição do atual conselho. Uma nova assembleia foi marcada para 30 de abril para discutir mudanças no board, incluindo a eleição de novos conselheiros.

Entre os nomes indicados, Marcelo Curti deve assumir a presidência, substituindo Marcelo Gasparino, que renunciou. A Mak busca ampliar sua representação com independentes Mateus Bandeira e Ademar Vidal Neto.

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