- A procura por jatos privados segue alta, com decolagens globais na semana encerrada em 29 de março de 2026 subindo 11% frente ao mesmo período de 2025.
- Nos EUA, houve alta de 13% no total de voos (57.313 de 80.921 globais), com crescimentos de 14% para operações de propriedade fracionada e fretamento.
- Os preços do combustível de aviação dispararam com o conflito no Oriente Médio, elevando os custos dos voos privados a níveis ainda mais altos desde o quarto trimestre de 2022.
- Empresas como NetJets, Flexjet e Fly Alliance reportam aumento de demanda por jet cards, chamadas de última hora e reservas garantidas, influenciadas por falhas das companhias aéreas comerciais e atrasos em aeroportos.
- A visão do setor é de que a demanda está se tornando um hábito sustentável entre clientes de alta renda, com grande foco na economia de tempo e na confiabilidade, mesmo diante de custos maiores.
O mercado de jatos privados vive momento de demanda elevada apesar dos custos. A alta no combustível, estimulada pelo conflito com o Irã, elevou o preço em até 85%. Mesmo assim, voos privados seguem atraindo clientes por confiabilidade e ganho de tempo.
Dados da WingX indicam alta de 11% nas decolagens globais na semana encerrada em 29 de março de 2026, na comparação com o ano anterior. Nos EUA, responsável por mais da metade das operações, houve crescimento de 13%.
Operadores de propriedade fracionada e fretamento registraram aumento de 14%. Nos últimos 28 dias, voos privados cresceram 6% globalmente, com os EUA superando o crescimento mundial em um ponto percentual, mesmo diante da queda de 32% na atividade no Oriente Médio.
A análise da WingX aponta divergência entre aviação comercial e executiva desde o início do conflito, com a demanda privada resiliente. Em Cleveland, Kenn Ricci, da Flexjet, destacou o otimismo com relação às companhias aéreas, apontando que passageiros ricos migraram para o jato privado, considerando o serviço uma necessidade.
A Flexjet informou que, desde interrupções da TSA em fevereiro, as horas faturadas da FXAir subiram 39% frente ao ano anterior. A Sentient Jet, unidade dedicada a jet cards, viu chamadas crescerem 19% nas duas últimas semanas, e pedidos de última hora atingiram 12% acima do padrão, conforme Alan Walsh, presidente da unidade.
Patrick Gallagher, presidente da NetJets, maior empresa do setor, disse que não há sinais de desaceleração. O fluxo de leads neste ano está alinhado aos patamares de 2024 e 2025, quando a frota da Berkshire Hathaway expandiu-se rapidamente. Até o mês passado, a NetJets possuía 845 jatos e planeja adicionar 80 neste ano, com altas taxas de retenção.
Tomadas pela demanda, companhias de fretamento e jet cards relatam aumento de reservas de última hora. Gallagher aponta que passageiros recorrem à NetJets, que oferece acesso com apenas seis horas de antecedência. A Fly Alliance também registra chamadas superiores aos níveis da covid, oferecendo tarifas garantidas com oito horas de antecedência, segundo Christopher Tasca.
Em Houston, um cliente quase perdeu um voo e, na TSA, recebeu orientação de voltar após o almoço, quando um jato privado estaria pronto para buscá-lo, segundo Tasca. Jamie Walker, da Jet Linx, afirmou que as vendas de jet cards em março superaram o orçamento em mais de 300%.
Mesmo sem atrasos nas companhias comerciais, a economia de tempo é evidente: voos diretos de Cleveland a Charlottesville, por exemplo, reduzem consideravelmente o tempo de deslocamento com jato privado, em relação a rotas com conexões.
Segundo Gallagher, passageiros de NetJets alternam entre voos comerciais e privados, com a economia de tempo estimada em até 90% para decisões que envolvem longas viagens de carro. Pesquisas indicam que 47% dos entrevistados citam a ausência de voos diretos como motivo para voo privado.
A precificação de jet cards permanece com tarifas garantidas por até 12 meses, sujeitas a sobretaxas de combustível. O preço médio por hora, apurado no primeiro trimestre, ficou em US$ 11.426, alta de 1,6% frente ao trimestre anterior e 2,5% ante igual período de 2025.
A indústria de aviação privada tem mostrado ciclos de alta e recuo desde a covid, mas atuais executivos veem a mudança como permanente, com clientes de alta renda aderindo de forma contínua ao serviço, não como pico momentâneo.
Fonte: reportagens de Forbes, com dados da WingX e declarações de executivos do setor.
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