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Juros altos pressionam empresas a alavancagem insustentável, alertam especialistas

Com a Selic em quinze por cento, custo de crédito pressiona o caixa, elevando alavancagem e pedidos de recuperação judicial, que chegam a dois mil quatrocentos e sessenta e seis em 2025

Imagem ilustrativa com calculadora e gráfico
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  • Com a Selic em 15% ao ano, custo do crédito corrói o caixa das empresas e eleva riscos de inadimplência e endividamento.
  • Em 2025, 2.466 empresas entraram com pedidos de recuperação judicial, segundo a Serasa Experian, apontando pressão financeira generalizada.
  • A Serasa aponta alta de 8 milhões de CNPJs negativados no início de 2025 até julho, com incremento mensal de 200 mil negócios.
  • O endividamento de 248 companhias listadas subiu de R$ 1,4 trilhão em 2020 para R$ 2,3 trilhões em 2025, excluindo a Petrobras.
  • O setor agropecuário liderou os pedidos de recuperação judicial em 2025, com 743 empresas (30,1% do total), seguido por varejo e serviços; especialistas apontam custo do crédito e acesso limitado ao financiamento como principais fatores.

O custo do crédito, pressionado pela Selic de 15% ao ano, está tornando a alavancagem de empresas brasileiras insustentável. Com juros elevados, companhias que se expandiram no período de juro baixo enfrentam contas cada vez mais difíceis de fechar.

A crise se reflete no caixa das empresas e no aumento dos pedidos de recuperação judicial. Em 2025, 2.466 empresas entraram com processos para reestruturar dívidas, segundo dados da Serasa Experian. O cenário sugere aperto financeiro generalizado.

A Selic esteve em patamar histórico durante boa parte de 2024, elevando o custo do crédito. A influência dos juros elevados está ligada à dificuldade de manter operações com endividamento anterior, destacam especialistas.

Endividamento e crédito sob demanda

Levantamento da Serasa aponta que, de janeiro a julho de 2025, 8 milhões de CNPJs estavam negativados, com alta de 200 mil negócios ante o mês anterior. Isso sinaliza deterioração de recebíveis e crédito restrito para empresas.

O endividamento de empresas de capital aberto no Brasil também mostra o peso da crise. O total da dívida de 248 companhias pulou de R$ 1,4 trilhão em 2020 para R$ 2,3 trilhões em 2025, excluindo Petrobras, ainda com salto expressivo.

Para o economista Alex Agostini, o encarecimento do crédito é o principal canal de transmissão dos juros à atividade econômica. Empresas costumam repassar parte do custo, mas nem sempre é viável.

A visão é de que o acesso ao crédito, principalmente para micro e pequenas empresas, diminuiu. Sem alternativas como dívida privada ou mercado de capitais, o financiamento fica dependente de crédito bancário mais caro e com prazos reduzidos.

Setores mais impactados e caminhos

O setor agropecuário concentrou a maior fatia dos pedidos em 2025, com 743 empresas, equivalentes a 30,1% do total. Varejo e serviços aparecem entre os segmentos mais pressionados pelo cenário de juros altos.

Granito Boneli Advogados destaca a inviabilidade prática da recuperação judicial para pequenas empresas, que perdem créditos com fornecedores e instituições financeiras ao entrar com o processo. A depender do porte, a medida pode inviabilizar operações.

Especialistas sugerem que a saída envolve mudanças estruturais no acesso ao capital e maior governança corporativa. A ideia é abrir portas para o mercado de capitais, ampliando oportunidades de captação.

Mesmo com sinalizações de cortes na Selic, os efeitos sobre recuperações devem demorar a aparecer. A transmissão da política monetária para a economia leva meses para se consolidar.

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